Saúde em viagem | Vacinas e outras prevenções

Partir à descoberta é sempre aquela alegria e aquele entusiasmo que por vezes nos faz esquecer as coisas menos agradáveis… as doenças! Antes de viajar é importante informar-se sobre as medidas de prevenção a ter e isso irá depender dos países e regiões que pretenderem visitar.

Onde me posso informar?

Um dos primeiros passos quando se prepara uma viagem é marcar uma consulta do viajante, pois nada melhor do que um médico especializado nessa área para vos aconselhar e medicar adequadamente para viajarem mais descansados. Essa consulta pode ser realizada em alguns centros de saúde, nos hospitais públicos ou em hospitais/clínicas privadas. Podem ver no seguinte site quais os centos de vacinação internacionais da vossa área de residência: Portal da Saúde

Somos ambos médicos e nunca deixamos de ir a uma consulta do viajante! Como disse, é sempre bom ter a opinião e conselhos de uma pessoa especializada nessa área.

E quais são as vacinas obrigatórias?

É essencial ter as suas vacinas actualizadas segundo o calendário nacional de vacinação (de um modo geral, mas principalmente antes de viajar).

Febre amarela

A transmissão da doença é feita pela picada de mosquito em altitudes abaixo de 2300m. Os sintomas iniciais incluem febre, cansaço, cefaleias, mal-estar e dores musculares podendo evoluir para uma fase mais grave com icterícia, hemorragias do trato gastro-intestinal e morte. Não existe nenhum tratamento sendo a vacina a única forma de prevenir eficazmente a doença. 

Onde é obrigatória: Angola, Benin, Burkina Faso, Burundi, Camarões, República Centro-Africana, Congo, Serra Leoa, República Democrática do Congo, Guiana Francesa, Gabão, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Nigéria, Paraguai, Ruanda, Togo.

Onde há risco de transmissão: Angola, Argentina, Beni, Bolívia, Brasil, Burkina Faso, Burundi, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Colômbia, Congo, Serra Leoa, República Democrática do Congo, Equador, Guiné Equatorial, Etiópia, Guiana Francesa, Gabão, Gambia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Guiana, Kenya, Libéria, Mali, Mauritânia, Nigéria, Panamá, Paraguai, Peru, Ruanda, Senegal, Sudão do Sul, Sudão, Suriname, Togo, Uganda, Venezuela, Trinidad e Tobago (somente Trinidad).

Mais informações na Organização mundial de saúde.

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Áreas onde existe risco de transmissão da febre amarela.

Quando tomar: até 10 dias antes da viagem para território que exija a vacina.

Como tomar: 1 injecção válida 10 anos (eficácia perto de 100%). Pode ser administrada desde os 9 meses de idade. 

A vacina da febre-amarela está somente disponível nos centros de vacinação internacional, sendo apenas administrada sob prescrição médica.

 

Quais são as vacinas recomendadas?

Febre tifóide

Trata-se de uma doença infecciosa transmitida pela ingestão de carnes mal cozidas, bebidas ou alimentos contaminados. Manifesta-se com febre alta, insónias e cefaleias.

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Áreas com risco de transmissão de febre tifóide.

Como tomar: 2 injecções com um mês de intervalo, válida 3 anos. Pode ser administrada a partir dos 2 anos de idade. Ter em atenção que esta vacina não protege a 100% sendo as medidas de prevenção essenciais.

A vacina da febre tifóide está somente disponível nos centros de vacinação internacional, sendo apenas administrada sob prescrição médica.

Hepatite A

Esta doença manifesta-se com um quadro de febre, náuseas e desconforto abdominal sendo seguido dias mais tarde pelo aparecimento de icterícia. A gravidade da doença aumenta com a idade podendo passar despercebida em crianças e ser mais grave nos adultos prolongando-se por várias semanas. A transmissão pode resultar do consumo de alimentos ou água contaminados ou ainda pelo contacto com pessoas contaminadas.

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Prevalência da Hepatite A

Algumas pessoas podem estar imunes sem saber (a doença pode por vezes passar despercebida na infância),  por isso convém realizar análises sanguíneas antes de comprar a vacina.

Como tomar: 2 doses com intervalo de 6 meses. Pode ser administrada a partir de 1 ano de idade.

Hepatite B

Trata-se de uma doença transmitida por contacto sexual com pessoas infectadas, por transfusão de sangue contaminado ou ainda pelo uso de agulhas/seringas contaminadas. A vacina faz parte do plano nacional de vacinação em Portugal, mas os viajantes não vacinados devem tomar medidas de prevenção evitando relações sexuais desprotegidas, acupunctura e realização de piercings ou tatuagens em zonas de alto risco. Se pretender viajar no âmbito de uma acção humanitária ou outros serviços de saúde, a vacina está fortemente recomendada pois poderá estar exposto a sangue infectado.

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Prevalência da Hepatite B

Cólera

Esta doença existe em quase todos os países em desenvolvimento e a melhor forma de prevenção são medidas de higiene: lavar as mãos antes de comer, lavar a fruta, beber apenas água engarrafada ou tratada, consumir preferencialmente alimentos cozidos e evitar o contacto com águas estagnadas.  A vacinação é raramente recomendada sendo apenas indicada para estadias prolongadas em áreas de alto risco principalmente para profissionais de saúde trabalhando durante surtos de epidemia (alguns países da África e certas zonas da Ásia,  Indonésia e América Central).

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Prevalência da Cólera

Como tomar: 2 doses com intervalo de 2 anos.

Encefalite japonesa

Trata-se de uma doença transmitida por picada de mosquito e que acarreta graves consequências (1/3 dos infectados acaba por falecer e 1/3 permanece com sequelas neurológicas irreversíveis). Está por isso fortemente recomendada em caso de estadia prolongada (superior a 30 dias) na Ásia em zonas rurais principalmente na estação da chuva.

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Prevalência da Encefalite japonesa

Como tomar: 2 doses  com intervalo de 28 dias sendo recomendado realizar uma dose de reforço 12 a 24 meses depois. Ter em atenção,  que apesar do custo elevado (cerca de 85€ cada dose), esta vacina proporciona uma protecção perto de 100% contra uma doença que pode ser letal.

Encefalite da carraça/Encefalite estival

Contrariamente às crenças,  esta doença não é transmitida apenas pelas carraças podendo também ser transmitida através do consumo de leite não pasteurizado. O risco de infecção limita-se às zonas florestais (até uma altitude aproximada de 1400m) que se estendem da Alsácia até à Sibéria e a maioria dos casos ocorre de Abril a Novembro. A doença inicia com um quadro semelhante a uma gripe com febre evoluindo depois para a fase da encefalite em si com paralisia e sequelas permanentes. Para evitar picadas de carraças use calças compridas com calçado fechado quando passear. A vacinação é a única “arma” contra esta doença para a qual não existe tratamento e está indicada para estadias superiores a 3 semanas nas zonas de risco principalmente durante o Verão.

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Áreas com risco de transmissão da Encefalite da carraça

Como tomar: A vacina pode ser administrada a partir dum ano de idade e existem dois esquemas possíveis: o esquema recomendado estende-se num período de 12 meses e o esquema rápido necessita de 3 doses (aos dias 0, 7 e 21) com reforço aos 12-18 meses e depois todos os 5 anos.

A diarreia do viajante, o que é?

Trata-se de uma doença transmitida por água ou alimentos contaminados. Manifesta-se por diarreia, náuseas, vómitos, dores musculares e cefaleias. É geralmente ligeira e pode resolver-se espontaneamente sem tratamento. A melhor forma de prevenção passa pela ingestão de alimentos e bebidas seguros. As seguintes medidas de prevenção poderão ser suficientes para evitá-la:

  • Usar a água da torneira exclusivamente para tomar banho e cozinhar (mas não para levar os dentes).
  • Beber apenas água engarrafada ou tratada, isto é, fervida durante cerca de 3 minutos ou desinfectada com tintura de iodo a 2%, na dose de 5 gotas por cada litro de água deixando-se actuar durante 30 minutos (não recomendado se sofrer de doenças da tiróide ou se tiver alegria ao iodo sendo nesses casos preferível usar pastilhas de cloro).
  • Evitar bebidas com gelo 
  • Preferir alimentos bem cozidos e evitar alimentos crus (cuidado com os buffets, saladas cruas…).
  • Preferir a fruta facilmente descascável ou cozida.
  • Evitar os gelados artesanais e preferir os industriais embalados.
  • Evitar produtos lácteos não pasteurizados.  O leite em pó é seguro se dissolvido em água engarrafada.
  • As refeições enlatadas, a fruta em calda, o pão, os biscoitos,  os bolos secos e o café são seguros.

Na maioria dos casos a diarreia é auto-limitada recuperando-se em poucos dias. É fundamental evitar a desidratação, sendo essencial ingerir líquidos (água, chá ou agentes hidratantes receitados pelo médico como o Dioralyte). Se a diarreia persistir por mais de 3 dias e for acompanhada de qualquer um destes sinais: sangue nas fezes, vómitos de repetição ou febre, recomendamos consultar um médico, pois poderá ser necessário iniciar um antibiótico (na consulta do viajante costumam receitar um antibiótico para estas situações).

Dengue, o que é?

O dengue é uma doença tropical transmitida pela picada de um mosquito infectado. A fêma do mosquito coloca os seus ovos em recipientes com água, são locais frequentes: pneus abandonados, pratos e vasos de plantas, garrafas, latas, panelas, calhas de telhado e outros locais onde a água possa ser armazenada.

Quando pica?

Esse mosquito pica de manhã cedo e ao fim da tarde! 

Sintomas

Os sintomas do Dengue Clássico são vários: febre alta, dores de cabeça frontais, dores retro-oculares, dores musculares, dores articulares, náuseas, vómitos, manchas na pele.

Numa 2ª contaminação existe um risco maior de contrair outra forma da doença, chamada Dengue Hemorrágico que se apresenta com dores abdominais severas e contínuas, pele pálida, fria e húmida, sangramento pelo nariz, boca, gengivas, manchas negras na pela, vómitos, sede excessiva e dificuldade respiratória.

Tratamento e Prevenção:

Não existe tratamento específico, mas podem ser tomados medicamentos para aliviar as dores. A pessoa doente NÃO DEVE TOMAR qualquer medicamento com ácido salicílico (ex: aspirina), nem outros anti-inflamatórios, uma vez que aumentam o risco de hemorragia.

Não existe vacina! Devem ser tomadas medidas para impedir a disseminação da doença e evitar as picadas de mosquito com: redes mosquiteiras, repelentes nas partes expostas do corpo (Previpiq) e usar roupas largas e compridas.

 

 

Atualizado em 2017

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