Visitar o Peru | Roteiro e dicas de viagem

Visitar o Peru | Roteiro e dicas de viagem

Visitar o Peru estava na nossa lista há demasiado tempo. Já não podíamos esperar mais, a curiosidade era tanta que não nos contivemos. Em duas semanas maximizamos ao máximo cada dia para poder ver tudo o que nos espicaçava a alma, a nossa alma insaciável de viajantes. Daí resultou um roteiro de duas semanas repleto de emoções, descobertas e sensações fortes. Não posso dizer que seja o itinerário perfeito para todos, mas para nós foi divino. Só mudaríamos uma coisa: ficar mais tempo!

Duas coisas a ter em conta para elaborar o vosso itinerário:

1- A altitude! Este é um ponto essencial para o sucesso da vossa viagem. Se é a vossa primeira experiência acima dos 3000 m então devem tomar algumas precauções, sendo uma delas subir devagarinho. Não subestimem a altitude, não vale a pena arriscar quando podem ver locais fabulosos e ao mesmo tempo aclimatarem-se. Não vale a pena partir a correr para os pontos mais altos do país. Vimos pessoas a quem correu bem e outras a quem correu muito mal. Para nós Arequipa (2 300m) foi uma excelente primeira base antes de seguir para Cusco (3 400m).

2- As pesquisas nunca são demais. Acreditem. Mudamos 3 vezes o nosso itinerário e ainda bem que o fizemos. Lemos relatos em blogues, pedimos conselhos a quem já tinha viajado para o Peru e todas essas informações foram valiosas. Inicialmente tínhamos previsto ir ao lago Titicaca, primeiro porque o Axel achava piada ao nome, segundo porque fazia parte de todos os roteiros típicos de uma primeira viagem ao Peru. Depois de já termos todos os hotéis reservados acabamos por descobrir uma fabulosa laguna de um azul turquesa intenso, a Laguna 69. Essa laguna não faz parte dos roteiros típicos de duas semanas pelo Peru, mas parecia bem mais linda e desafiante que o lago Titicaca. Acabamos por seguir o nosso instinto e trocamos todo o itinerário. Também não tínhamos planeado ir à Rainbow Mountain, inacreditável não? Graças às recomendações dos Viagens Daqui para Ali acabamos por incluir esse local e foi das melhores experiências da nossa viagem!

3- A melhor altura para fazer este roteiro é entre Setembro e Outubro. Se quiserem ver paisagens mais verdes, principalmente no Canyon del Colca, devem privilegiar os meses de Fevereiro e Março (cuidado pois certos locais ficam fechados em Fevereiro, é o caso do inca Trail).

 

Prontos para uma viagem rica em emoções?

 

DIA 1 | Arequipa

Chegamos num sábado à noite e optamos por passar a primeira noite em Lima antes de arrancar de manhã cedo para Arequipa num voo da Viva Air. 

Cuidados a ter com Viva Air:

1- eles não brincam com as medidas nem com o peso (8kgs)! Viajamos com uma mochila de 50L que sempre foi aceite em cabine, mas aqui não arriscamos e ainda bem. Depois de ler vários comentários de pessoas muito insatisfeitas, acabamos por pagar 15€ a mais para ter mala de porão. No aeroporto pediam a todos aqueles que não tinham mala de porão para colocar a mala (ou mochila) numa caixinha super pequena, e se não coubesse tinham de pagar 50 USD…

2- É imperativo imprimir o bilhete de embarque antes de ir para o aeroporto! Se não levarem o bilhete impresso têm de pagar uma taxa bastante cara.

3- no site da Viva Air o bilhete ficava bem mais caro, acabamos por comprar no site da Kiwi e correu tudo super bem, mandaram-nos o bilhete de embarque 3 dias antes para o primeiro voo, mas para o segundo voo tivemos de fazer o check-in no site da Viva Air e imprimimos o bilhete no hotel, isto porque a nossa hora de voo mudou (sem aviso por parte da Viva Air nem da Kiwi).

Nesse primeiro dia visitamos o Convento de Santa Catalina, um local a não perder! Este convento é muito colorido e bastante grande, acaba por ser uma pequena cidade dentro de Arequipa. Além disso oferece uma vista linda sobre o vulcão Misti. Demoramos 2h a visitar o convento. Aberto todos os dias das 8h00 às 17h00, entrada: 40 soles ~10,5 €.

 

Informações úteis sobre Arequipa:

Onde comer: Zig Zag (é muito bom, mas caro)

Onde dormir: Hostal La Reyna, 16€/noite para um quarto duplo com casa de banho privativa e pequeno almoço incluído. O hotel fica mesmo ao lado do convento com vista sobre o vulcão Misti 🙂 Para mais informações e reservas: Hostal La Reyna.

 

DIAS 2, 3 e 4 | Canyon del Colca

Aqui começou a grande aventura. Antes da viagem mudamos várias vezes de opinião sobre este trekking. Ir com guia nunca esteve nos nossos planos, a nossa dúvida baseava-se no número de dias que iríamos passar no Canyon. A primeira opção consistia em fazer o tradicional trekking de 2 dias passando apenas 1 noite no Canyon, mas nesse caso teríamos de passar a noite num local muito turístico, conhecido como “o Oásis” e teríamos de subir uma encosta abrupta de madrugada durante umas 4h para chegar a tempo de apanhar o autocarro das 9h00 em Cabanaconde. A segunda opção consistia em fazer um trekking mais atípico de 3 dias passando 2 noites no Canyon, um trekking mais difícil mas também mais bonito e menos turístico. Já nos conhecem não? Acabamos obviamente por optar pela segunda opção. Foi das melhores experiências que tive até hoje, muito desafiante mas incrivelmente lindo. 

Foi-nos assim possível passar a primeira noite em San Juan de Chucho, uma aldeia no fundo do Canyon acessível por uma caminhada de mais ou menos 4h, sempre a descer totalizando um desnível de 1000 m (não será preciso dizer que destruímos logo as nossas pernas aí). Passamos depois a segunda noite em Llahuar, que para além de ter piscinas termais com água quente vulcânica também nos ofereceu a possibilidade de subir tudo de jeep no 3º dia e chegarmos a tempo de apanhar o autocarro das 9h00 para Arequipa. Apesar da estrada não ser das melhores e termos apanhado alguns sustos, foi a melhor escolha de toda a viagem,  nunca teríamos conseguido fazer uma caminhada de 6h, sempre a subir no 3º dia, muito menos de noite.


   

No primeiro dia vimos vários grupos, todos com guia, passarem por nós. Passavam e nunca mais os víamos, andavam a um ritmo bem acelerado, jovens e idosos, tudo misturado. Não sentimos falta nenhuma de um guia, só existe um caminho para descer, é impossível enganar-se! Foi tão bom poder parar onde queríamos e quando queríamos para aproveitar o silêncio. Não sabemos para onde foram todos esses grupos porque à noite, em San Juan de Chuccho, só vimos umas 10 pessoas. No segundo dia, não vimos ninguém! Fizemos a caminhada sempre sozinhos até Llahuar porque os outros 10 seguiram para o Oásis. Em Llahuar já encontramos mais gente e a grande maioria tinham acabado de chegar e iam no dia seguinte para o Oásis, só um casal é que ia para San Juan de Chuccho. Outra coisa, a descida de Cabanaconde para Llahuar não é tão bonita como para San Juan de Chuccho.

   


Artigo detalhado sobre esta etapa: Canyon del Colca (em breve)

 

 

 

 

DIA 5 | Arequipa –> Cusco

Depois da nossa aventura no Canyon, ainda tivemos uma manhã para aproveitar a praça central de Arequipa, visitar a majestosa catedral e as ruelas animadas do centro. Antes de seguir para o aeroporto ainda fomos até o miradouro Yanahuara, mas não é assim tão espectacular quanto isso. A cidade é muito gira e charmosa, vale sem dúvida a pena passar por Arequipa.

 


A importância da Consulta do Viajante:

Ao voltar do Canyon decidimos jantar tacos num pequeno restaurante em Arequipa, o primeiro taco era delicioso e acabamos por pedir um segundo. O Axel foi o único a pedir um de porco, a carne estava seca, mas a fome era tanta que não resistiu… 12h depois sofreu as tristes consequências. Dentro desse azar até teve muita sorte pois calhou “no melhor dia”, como era um dia de transição não tínhamos nada planeado e pôde descansar. Quando chegamos a Cusco, já ia nos 7 comprimidos de loperamida e zero melhorias. Por via das dúvidas fomos a uma farmácia, (é o melhor a fazer quando estão no estrangeiro, eles estão muito habituados e sabem identificar logo do que se trata). Fizeram-nos 3 perguntas e o diagnóstico estava feito, precisava mesmo de tomar antibiótico, mas não qualquer um, tinha de ser a ciprofloxacina. Por termos ido a uma consulta do viajante tínhamos connosco esse antibiótico em questão. Após uma noite de descanso ficou curado.


Para o voo Arequipa – Cusco, não havia grande escolha, viajamos com a LATAM, 1h de voo. Por não ser uma companhia Low Cost foi tudo muito tranquilo, não tivemos de comprar mala de porão e aceitaram as nossas 2 mochilas em cabine. 

Chegamos a Cusco ao anoitecer, fizemos o check-in e partimos explorar o centro histórico. Pessoalmente, fiquei logo encantada, da praça central víamos uma colina atrás cheia de pequenas luzes, à nossa frente a grande e imponente catedral de Cusco, e ao lado várias ruelas com restaurantes e lojas muito animadas. 

 Táxi do aeroporto até o centro de Cusco: 30 soles

DIA 6 | Cusco

Cusco significa “umbigo do mundo” em quíchua, foi assim nomeada porque era o centro cultural e administrativo da civilização inca. Por esse mesmo motivo, foi um dos primeiros locais a ser invadido pelos espanhóis que acharam por bem construir igrejas e catedrais por todo o lado. A primeira catedral construída pelos espanhóis no Peru foi a Catedral de Cusco. Todo este doloroso passado tira-nos quase a vontade de visitar o legado espanhol, mas a Catedral merece uma visita. O único defeito é a impossibilidade de tirar fotografias no interior, chegou ao ridículo de sermos perseguidos por 3 seguranças que nos vigiavam constantemente com medo que o Axel disparasse com a máquina que tinha ao pescoço. Foi nos completamente impossível tirar fotografias, mas acreditem, o interior é mesmo lindo. Entrada: 25 soles (12,5 para estudantes). 

Apesar de Cusco ter sido o centro da civilização inca, não sobrou nada que comprovasse isso. A grande maioria (99%) do património inca foi destruído aquando da invasão pelos espanhóis. Mas como parecia mal não ter nada inca para visitar em Cusco, os peruanos sentiram-se na obrigação de criar “monumentos incas” para o turista ter algo a visitar. Um bom exemplo disso é o Templo do Sol (ou Qorikancha) no centro de Cusco. Todos os guias falam desse templo como o grande incontornável de Cusco, um monumento inca a não perder. Foi, outrora, um dos maiores complexos arqueológicos do povo inca. Construído pelo imperador Pachacuti, as suas paredes estavam cobertas por lâminas de outro, daí o nome Templo do sol ou Templo Dourado.  Chegamos lá e descobrimos um convento e uma igreja que foram construídos por cima dessas famosas ruínas incas. Felizmente conseguiram guardar algumas pedras incas que estão expostas dentro, na parte inferior do convento junto ao claustro. Na parte superior do convento decidiram colocar uma exposição de arte moderna ou contemporânea, ainda não percebemos bem. Achamos aquilo tudo completamente absurdo, sem nexo, sem sentido. A única parte interessante e que tem alguma piada: o grande terramoto de 1950 destruiu grande parte do convento e da igreja expondo o que restava do Templo do Sol que resistiu firmemente graças às técnicas incas de construção. Entrada: 16 soles (8 para estudantes).

Em Cusco ainda podem visitar a Igreja jesuíta, Compañia de Jesus, que fica do lado direito da Catedral de Cusco. Se subirem pela rua que fica entre as duas irão ter ao bairro San Blas, o bairro boémio de Cusco, repleto de lojas de artesanato e galerias de arte, foi dos nossos locais favoritos, perdemo-nos nas numerosas lojas e também foi aí que encontramos os melhores restaurantes. Antes de chegar a esse bairro irão passar por uma rua muito famosa, a rua Hatun Rumiyoc, isto porque é lá que se encontra uma pedra inca com 12 ângulos. Os incas colocavam pedras com vários ângulos para criar maior estabilidade em caso de terramoto.

 

Informações úteis sobre Cusco:

Onde comer: Native Burgers (muito barato e delicioso), Green Point Vegan Food (que maravilha!), Inkazuela (local super acolhedor com ensopados divinais), Antojitos (o restaurantes dos locais, será difícil encontrar mais barato no centro e é muito bom), 

Onde dormir: Ukukus Hostel, 18€/noite para um quarto duplo com casa de banho privativa. Não gostamos do primeiro quarto, ficava no 2º piso não tinha água quente nem net. Mudamos e ficamos num quarto no 3º piso, muito melhor, era um quarto moderno, com net e uma boa casa de banho. Para mais informações e reservas: Ukukus Hostel.

DIA 7 | Vale Sagrado dos Incas

O vale sagrado dos Incas corresponde a toda a região compreendida entre Pisac e Ollantaytambo, reúne uma grande quantidade de vilarejos e sítios arqueológicos. As condições climatéricas únicas dos Andes Peruanos tornaram essa região perita na produção de milho. Para visitar os sítios arqueológicos terão de comprar o Boleto Turistico, cujo preço varia consoante aquilo que pretendem visitar bem como o número de dias que necessitam. 

BOLETO TURISTICO – VALE SAGRADO

Boleto turístico completo: 130 soles. Dá acesso a 16 museus e sítios arqueológicos sendo possível usá-lo durante 10 dias.

As 16 atrações são: Museo Histórico Regional, Museo de Arte contemporáneo, Museo de Arte Popular, Museo de Sitio Qorikancha, Centro Qosqo, Monumento al Inca Pachacutec, Sacsayhuaman, Q’enqo, PukaPukara, Tambomachay, Pisac, Ollantaytambo, Chinchero, Moray, Tipon, Piquillacta.

 Boleto turístico parcial: 70 soles. Neste caso pode ser usado durante 1 ou 2 dias sendo possível escolher entre 3 circuitos diferentes.

Circuito 1 (1 dia): Sacsayhuaman, Qenqo, Tambomachay, PukaPukara. 

Circuito 2 (centro histórico de Cusco – 2 dias): Museo Histórico Regional, Museo de Arte contemporáneo, Museo de Arte Popular, Museo de Sitio de Qorikancha, Centro Qosqo de Arte Nativo, Monumento al Inca Pachacutec. 

Circuito 3 (2 dias): Pisac, Ollantaytambo, Chinchero e Moray. Foi este que escolhemos.

O Boleto Turistico pode ser comprado no centro de Cusco junto à praça das Armas ou então diretamente à entrada dos sítios arqueológicos, mas cuidado, fica válido a partir do dia da compra! Por isso mesmo, optamos por comprar diretamente em Moray já que queríamos visitar Ollantaytambo no 2º dia.

É possível visitar tudo de autocarro desde Cusco, mas como éramos 4 optamos por visitar tudo de táxi. Começamos pelas Salinas de Maras que conseguimos aproveitar praticamente sozinhos antes da chegada de vários autocarros. As salinas não estão incluídas no Boleto, a entrada custa 10 soles. Este é um sítio a não perder! A mais de 3 200m,  poderão admirar 3 600 bacias com várias tonalidades de castanho, rosa e branco que se espalham por um enorme vale. Uma fonte saturada em cloreto de sódio alimenta diariamente essas bacias permitindo assim a produção de várias camadas de sal. A primeira camada é usada como flor de sal, a do meio é sal rosado que poderão encontrar no supermercado e a última camada, junto à terra, é usada para fins medicinais. Essas bacias pertencem a 800 famílias diferentes que se organizaram para formar uma cooperativa. A produção anual chega a alcançar as 200 toneladas de sal! Incrível não?

Depois decidimos seguir para Moray que fica a 3 500m de altitude e onde estão vários terraços dispostos em círculo concêntrico. A posição dos terraços cria uma série de microclimas criando temperaturas mais elevadas no centro e mais frias nos círculos mais externos. Moray foi assim usado para realizar experiências com o intuito de aumentar a produção e o rendimento das culturas. Além disso conseguiram “aclimatar” plantas exóticas nesses laboratórios de pesquisa agrícola.

Demoramos mais ou menos 1h30 para dar a volta antes de seguir viagem e almoçar num restaurante local, Inkasal Café Bar, recomendado pelo nosso guia. E sabem que mais? Foi o melhor restaurante de toda a nossa estadia! Por fim visitamos Pisac, um local que incluímos porque estava nos guias e íamos passar por lá para voltar a Cusco. Não fizemos grandes pesquisas sobre o local em si e as expectativas eram baixas. Não imaginam o nosso espanto quando chegamos a este maravilhoso sítio arqueológico, lá no alto, numa encosta, o sítio arqueológico é enorme! Acabamos por não ter tempo para visitar tudo pois existem várias caminhadas entre as diversas ruínas que se encontram espalhadas e afastadas umas das outras. Vale a pena passar lá umas 3 a 4h. Vimos muitos autocarros turísticos chegarem perto das 17h30 quando o sítio estava prestes a fechar. O nosso táxi/guia acabou por nos dizer que muitas agências propõem tours no Vale Sagrado passando por 4 ou mais atrações e acabam por ver tudo a correr… por isso cuidado com estas visitas guiadas.

Passamos este dia com o Jhon Sutta do Taxi Intur Peru, um taxista muito profissional que ia explicando imensas coisas durante os trajectos e depois das nossas visitas. Foi muito flexível em termos de horários e nunca nos obrigou a passar por sítios que não queríamos visitar. Gostamos tanto dele que acabamos por contratá-lo para subir à Rainbow Mountain.

 

DIA 8 | Ollantaytambo

Neste dia partimos com um pequeno saco e deixamos as nossas grandes mochilas no hotel em Cusco. Partimos os quatros num táxi até Ollantaytambo. Ao chegar deixamos as sacos mais pesados na estação de comboio do Inca Rail (gratuito) e recolhemos os nossos bilhetes previamente comprados na plataforma online. Partimos depois explorar este espantoso sítio arqueológico que tal como Pisac, superou as nossas expectativas. As ruínas encontram-se afastadas umas das outras, visitamos a parte principal mas não conseguimos ver as restantes ruínas que se encontravam na montanha em frente. Mesmo assim demoramos umas 3h a visitar antes de procurar um sítio onde almoçar sossegadamente. Depois visitamos a charmosa cidade de Ollantaytambo antes de apanhar o comboio para Águas Calientes, onde nos esperava uma nova aventura.

 


   

Antes de vos falar de Águas Calientes queria apenas referir que a empresa Inca Rail é bastante melhor que a Peru Rail com a qual voltamos para Cusco. Com a Inca Rail tivemos direito a um espaço para aguardar o comboio onde podíamos beber café e chá gratuitamente. O comboio partiu a horas e a bordo foi-nos servido um lanche com bebidas super saborosas, chocolate e umas bolachas. Na Peru Rail não tivemos direito a nada disso e o comboio atrasou-se imenso.

   


 

Chegamos ao anoitecer a Águas Calientes, um vilarejo apenas acessível de comboio ou a pé, que fica na base da montanha onde se encontra o Machu Picchu. Saem autocarros todos os dias de Águas Calientes até à entrada do Machu Picchu por 12 USD, o primeiro sai às 05h30. Também é possível subir a pé, mas é preciso contar umas 2h e a subida não é nada fácil.

Bem, mas falando agora de Águas Calientes. Imaginávamos encontrar um pequeno vilarejo ao pé das montanhas, num sítio calmo com alguns restaurantes locais, hotéis rudimentares e lojas de souvenirs, nada mais. Somos ingénuos não somos? Sabiam que até um discoteca existe em Águas Calientes? O nosso hotel era de facto rudimentar, talvez demasiado… O pior hotel da viagem, mas era apenas para dormir umas horas, fechamos os olhos e deixamos a nossa mente fluir pensando no Machu Picchu que se encontrava algures por cima de nós. Recomendo vivamente levar tampões para os ouvidos se quiserem dormir… 

Informações úteis sobre Águas Calientes:

Onde comer: Mapacho Craft Beer, foi onde comemos o melhor hambúrguer de quinoa! 

Onde dormir: Casa Paz, não é um hotel recomendável, mas serviu para o propósito. Não queríamos gastar muito dinheiro num hotel onde iríamos passar apenas algumas horas, mas também não queríamos ficar num dormitório com muita gente. Então encontramos este sítio onde pagamos apenas 30 soles (~8€) por pessoa ficando num dormitório de 4 pessoas só para nós. O preço inclui um pequeno almoço que pode ser servido às 4h00, mas admito que não tivemos coragem para comer depois de ver a cozinha. Também não tivemos coragem para tomar banho naquela casa de banho. Achamos sinceramente que os lençóis não tinham sido lavados, mas conseguimos nos abstrair disso tudo, afinal de contas faz parte da experiência de uma viagem de mochila às costas. Para mais informações e reservas: Casa Paz.

DIA 9 | Machu Picchu

Acho que o melhor para descrever este dia será partilhar convosco o texto que escrevi no comboio de regresso e que releio sempre com o mesmo carinho e sorriso na cara.

” Hoje saímos de madrugada, pouco depois das 4h, na escuridão. Ansiosos. Deixamos o quarto escuro com cheiro a mofo e descemos as 50 escadas que nos separavam da paragem de autocarro. Esse só sairia dentro de 1h30, e já ali estavam umas 40 pessoas à espera. Será possível?
Todos esperavam no silêncio enquanto a fila crescia pela aldeia dentro. Rodeados pela sombra das montanhas que se desenhavam aos poucos à nossa frente, imaginávamos. Onde estará ele?
Chegou finalmente a hora de subir, não no primeiro, mas no segundo autocarro. Subimos pela densa floresta durante uns 30 minutos, em pulgas, observando as montanhas que se faziam adivinhar no meio do nevoeiro.
Depois de umas 30 curvas apertadas, paramos. Que nervosismo incontrolável.
Mais uma fila. Rodeados por outros 200 turistas, esperamos mais uma vez. Minutos eternos.
O bilhete numa mão, o passaporte na outra, a máquina ao pescoço, lá fomos nós como crianças que entram num parque de diversões. Caminhamos uns 5 minutos, quase sem respirar.
Pode parecer clichê, foleiro, o que quiserem. A verdade é que a emoção foi tanta que as lágrimas subiram. Estávamos em frente ao Machu Picchu.”

INFORMAÇÕES ÚTEIS – MACHU PICCHU

Que bilhete escolher?

Existem 3 bilhetes diferentes com horários de entrada diferentes:

O Machu Picchu (Grupo 1 das 06h00 às 12h00; Grupo 2 das 12h00 às 17h30). O bilhete nesse caso custa 152 soles (~40 €) e está limitado a 2 500 lugares por dia. 

Machu Picchu + Huayna Picchu (Grupo 1  das 7h às 8h; Grupo 2 das 10h às 11h). O bilhete nesse caso custa 200 soles (~52 €) e está limitado a 400 lugares por dia. 

Machu Picchu + Montanha Machu Picchu (Grupo 1  das 7h às 8h; Grupo 2 das 9h às 10h). O bilhete nesse caso custa 200 soles (~52 €) e está limitado a 800 lugares por dia. 

Podem comprar os bilhetes online (Site oficial) ou ao chegar lá em Cusco ou em Águas Calientes, mas é impossível comprar à entrada do Machu Picchu. Se visitarem apenas o Machu Picchu podem comprar até 1 semana antes na época alta e no dia anterior na época baixa. Se quiserem visitar o Huayna Picchu ou a Montanha devem saber que os bilhetes chegam a esgotar 2 a 3 meses antes na época alta.

Como chegar ao Machu Picchu?

O mais rápido é de comboio, existem 2 empresas a Inca Rail e a Peru Rail. Podem comprar os bilhetes online, 1 mês antes é o tempo ideal. Um bilhete de ida custa entre 50 e 60€. O trajecto demora cerca de 2h30.

O mais barato consiste em ir de bus ou colectivo desde Cusco até Santa Maria (5h por 15-30 soles). Aí apanhar um táxi partilhado até Hydroelectrica (15 a 20 soles) e seguir depois a pé até Águas Calientes (uma linda caminha de 10 kms junto ao caminho de ferro) ou apanhar o comboio por 50 soles. É preciso contar no mínimo entre 8 a 10h para completar este trajecto entre Cusco e Águas Calientes. Também existem transportes relativamente baratos (vans ou bus partilhados) que fazem a ligação directa entre Cusco e Hydroelectrica, será melhor perguntar diretamente no vosso hotel em Cusco.

O método mais caro e mais famoso para chegar diretamente ao Machu Picchu consiste em percorrer o famoso caminho inca ou Inca Trail. Está limitado a 500 pessoas por dia incluindo guias e “portadores” (que carregam o material todo de campismo) e é feito em 4 dias acampando 3 noites.  A grande vantagem desta opção é que irão chegar diretamente ao Machu Picchu passando pelo Inti Punku, deve ser realmente maravilhoso, mas o caminho em si não é fácil nem sossegado… Existem outras caminhadas alternativas e menos turísticas para chegar até o Machu Picchu, a melhor é sem dúvida a que todos conhecem por Salkantay Trek, uma caminhada de 5 dias que permite passar por paisagens deslumbrantes e uma biodiversidade única, até foi eleito o trek mais bonito do mundo pela National Geographics.

Artigo completo sobre a visita do Machu Picchu com as etapas detalhadas da compra do bilhete online: Visitar o Machu Picchu (em breve)

DIA 10 | Rainbow Mountain

Mais uma vez partilho convosco as emoções a quente:

“4h00. Toca o despertador. Um novo dia, uma nova aventura. Já não sabemos o que é acordar depois das 6h.
Quase 2h de carro numa estrada onde só passam alpacas e crianças a brincar. Nem sei se estrada será o termo certo. Passamos por várias pequenas aldeias onde as casas de banho são todas iguais e ficam ao lado daquilo que parece ser uma casa. Será que podemos chamar de casa a algo feito em terra batida, alguns blocos de tijolo e um telhado improvisado?
As paisagens desfilavam, mudavam e transportavam-nos a outro mundo. Um mundo bem longe do nosso.
Iniciou-se depois uma longa caminhada, longa para nós os dois. Os outros pareciam avançar mais rápido, tudo parecia andar mais rápido que nós. Estávamos a 5000m de altitude e não conseguíamos dar um passo sem sentir os nossos corações incessantes a pedir um descanso. O ar frio entrava nos pulmões, mas não parecia fazer o devido efeito. Pensamos desistir. Mas estávamos tão pertos, por isso continuamos. E ainda bem.
A vista do topo da montanha acabou por nos tirar o fôlego por completo. O mais bonito nem é a famosa Rainbow Mountain ou Montanha das 7 cores, mas sim todo o ambiente envolvente.”

 


   

Não façam como nós que saímos apenas às 05h00 de Cusco, é melhor sair às 03h00 para chegar ao nascer do sol e poder aproveitar o local com menos gente. Chegamos tarde ao início da caminhada e devido às nossas dificuldades demoramos a chegar à Rainbow Mountain e já não tivemos tempo para visitar o resto do Vale. Também não sei se teríamos tido forças para o fazer, mas o que nos incomodou mais foi a quantidade de gente que estava lá quando chegamos.

Sigam este grande conselho: não parem! Por muito cansados que estejam, mais vale andarem como lesmas e não parar. Quando paramos fica muito mais difícil voltar a caminhar. Só devem parar se tiverem muitas dores de cabeça, e aí até devem voltar a descer para evitar outras efeitos mais graves da altitude.

   


 

DIA 11 | Centro histórico de Lima

Neste dia de transição aproveitamos para visitar o centro histórico de Lima, chegamos num voo da Viva Air às 09h00 (em vez das 10h00 pois mudaram a hora do voo sem aviso prévio, só descobrimos ao fazer o check-in na véspera, ainda bem que não decidiram antecipar a viagem para o dia anterior…). E, malucos como somos, decidimos ir nesse mesmo dia para Huaraz num bus noturno da companhia Cruz del Sur que saiu de Lima às 21h30. 

Não sei se foi do tempo pouco solarengo ou por termos acabado de visitar dois dos sítios mais lindos do Peru, mas a verdade é que Lima foi uma desilusão. Optamos por usar os transportes públicos para chegar ao centro e andamos assim no Metropolitano. Compramos um pass por 5 soles que carregamos depois com 8 viagens já que é possível partilhar o pass ente várias pessoas. O Metropolitano foi uma experiência em si, com isso aprendemos uma coisa, nunca mais nos vamos queixar do metro em Portugal. Não há grande coisa para visitar no centro a não ser a Catedral na praça das Armas, o mosteiro São Francisco, o Museo del Pisco e o miradouro Cerro San Cristobal. Acabamos por passar a tarde num café a saborear gelados e outras gulosices. 

DIA 12 | Laguna Páron

Depois das paisagens áridas do Canyon del Colca, das paisagens avermelhadas na região de Cusco e o verde do Machu Picchu, faltava ver o azul turquesa dos lagos do norte. Chegamos de manhã bem cedo (antes da hora prevista) a Huaraz, fomos a pé até o nosso hotel onde nos serviram logo um fabuloso pequeno almoço e deram-nos um quarto para podermos tomar banho antes de iniciar a excursão até a Laguna Páron.

Como não íamos caminhar muito optamos pela opção mais barata, um bus turístico com mais 15 pessoas. Não gostamos muito de parar em sítios só porque sim e ter horários para respeitar, mas até não correu muito mal. A Laguna Páron é fabulosa, superou em muito as nossas expectativas. Pagamos 50 soles por esta excursão (~10 €) mais 5 soles pelo Boleto (sim, os boletos estão por todo o lado…). A primeira surpresa foi de facto a cor da laguna Parón, um turquesa surreal que mudava de tonalidade a cada minuto. A segunda surpresa foi o facto de estarmos praticamente sozinhos perante esta beleza da natureza.

DIA 13 | Laguna 69

A nossa última caminhada no Peru e talvez a mais intensa:

“O que vale é que o jetlag será menos intenso ao voltar. 4h30 toca novamente o despertador. Não sei se será pelo frio ou pelas 2 semanas de viagem que já se fazem sentir, mas esta manhã foi particularmente difícil. Malas prontas para fazer o check out, a nossa pequena mochila com água e roupa quente extra às costas, saímos na escuridão. Enlatados num táxi demasiado pequeno para 4 pessoas, começamos a nossa viagem de 2h até o início da nossa última caminhada no Peru: a Laguna 69. Essa laguna encontra-se a 4604m de altitude, presa entre vários glaciares, é preciso caminhar cerca de 3h para lá chegar com um desnível de 700m.
Na noite anterior avisaram-nos que afinal o táxi só nos iria levar até o início da caminhada. Estaríamos por nossa conta.
Esqueceram-se de nos avisar de outro pequeno pormenor. A estrada para lá chegar devia ser apenas permitida a jeeps. Foram 2h de tortura num táxi que em nada se parece com um jeep. Quase que nos apetecia fazer tudo a pé.
Chegou então o momento tão esperado, paramos frente a duas montanhas altas, um glaciar em pano de fundo e uma grande planície verde percorrida por um longo rio em ziguezague. Segundo o taxista bastava seguir o rio. Ele estaria à nossa espera no mesmo local dentro de 5h.
Começou então a caminhada mais intensa da nossa viagem. Estávamos completamente sozinhos, éramos os primeiros naquele dia a pisar o trilho. Um trilho magnífico. Paisagens parecidas à Noruega, com vários lagos, cascatas, montanhas e, claro, nevoeiro. Mas não nos podíamos dar ao luxo de parar à ida para tirar fotografias, talvez conseguíssemos ter a laguna só para nós.
A primeira hora foi muito tranquila no meio da planície verde com várias vacas e bezerros que não pareciam incomodados com a nossa presença matinal. Quanto mais andávamos mais ficávamos cercados por um denso nevoeiro que rapidamente se transformou em chuva… Ainda faltava tanto e as nossas roupas não eram ideias para apanhar chuva durante muito tempo. Continuamos. Iniciou-se então uma longa subida pontuada por chuviscos. O segredo para caminhar em altitude é não parar, por muito difícil que seja, mais vale andar como lesmas do que parar. Assim fizemos. Mantivemos um bom ritmo até chegar a uma nova planície com um pequeno lago. Já estávamos todos cansados e os nossos casacos semi-impermeáveis não iam aguentar muito mais. Foi então que avistamos uma placa… ainda faltava 1h! E pelos nossos cálculos faltavam apenas 2 kms, portanto não iria ser 1h muito fácil para nós, felizmente a chuva já tinha parado.
Caminhamos meia hora em plano até iniciar uma subida interminável sem saber se iríamos conseguir ver a laguna devido ao nevoeiro.
Um último esforço até o que parecia ser um miradouro. Que desilusão, eram apenas pedras, ainda tínhamos de caminhar para chegar à laguna. Felizmente já não era a subir.
Caminhamos mais 5 minutos, foi então que apareceu à nossa frente, uma laguna de um azul intenso! Não imaginam a nossa felicidade por ter conseguido e ainda por cima por sermos os primeiros a chegar. Melhor ainda, o sol começou a aparecer.
O Peru é um país onde tudo se vive intensamente.”

Se como nós gostarem de caminhadas sossegadas, vale a pena contratar um transporte privado. Fizemos a caminhada toda sozinhos. Já imaginaram quatro bonecos no meio deste enorme vale entre cascatas, lagos e glaciares?  3h de caminhada sem uma única alma, a não ser vacas, bezerros e aves estranhamente grandes. Uma experiência única que nos fez repensar o nosso modo de viajar. Afinal gostamos bastante de montanhas e espaços verdes, gostamos desta sensação incrível que é alcançar o objectivo e ultrapassar os nossos limites, gostamos tanto que nem nos importamos com a chuva. Isso vai trazer algumas alterações aos nossos planos para 2019…

Algumas informações úteis sobre a Laguna 69:

Boleto Turistico: 30 soles por pessoa (~10€)

Transporte privado desde Huaraz para 4 pessoas: 260 soles e demoramos 2h30 a lá chegar numa estrada em péssimo estado.

Trata-se de uma caminhada de 6 kms, foram mais ou menos 2h em plano e 1h a subir. Demoramos mais ou menos meia hora para subir o último km.

Convém levar sandes e uns snacks na mochila, bastante água e protector solar. Não se esqueçam de levar capas impermeáveis para as mochilas, mesmo estando o céu azul! O tempo é muito variável nesta região. Houve quem ficasse com a mochila encharcada com os cartões de memória da máquina fotográfica lá dentro… felizmente os cartões resistiram e conseguimos recuperar todas as fotografias da viagem.

DIA 14 e 15 | Miraflores e Barranco

Houve quem ficasse chateado por dizermos isso, mas Lima não tem charme nenhum. Pode ter outros pontos de interesse como boa comida e animação, mas temos de ser sinceros, a cidade em si é feia. A nossa segunda paragem por Lima foi no fim da viagem, queríamos passar 2 dias a relaxar em Miraflores, passear à beira mar, beber um copo numa esplanada, gastar os últimos soles em bons restaurantes e beber finalmente uns bons cocktails num bar animado à noite. Não podíamos ter errado mais.

Primeiro, a praia é feia sendo impossível passear à beira mar! A “praia” consiste num pedaço de areia acinzentada com uma estrada cheia de carros logo ao lado, sem esplanadas, sem sítios por onde passear sem ouvir os carros. Segundo, a cidade em si não tem charme, prédios feios, poucos espaços verdes , o Parque del Amor é verde sim e bonito, mas muito pequeno e cheio de gente. Em toda a cidade só se ouvem carros a buzinar. Por fim, devido à “Lei Seca”, por ser véspera de eleições, foi-nos impossível beber um copo. Os bares encontravam-se todos fechados, os restaurantes recusavam-se a servir bebidas e os frigoríficos encontravam-se trancados no supermercado. Como podem ver não conseguimos arranjar um único motivo para gostar de Lima, a não ser a comida.

 


O Peru é um país que se vive intensamente. Acho que quem visita o Peru deve gostar de natureza e estar preparado para fazer caminhadas, porque as cidades em si não têm grande interesse. São giras e animadas, adoramos Arequipa e Cusco, mas não havia grande coisa para visitar. Os sítios arqueológicos bem preservados são mesmo muito poucos, os espanhóis destruíram quase tudo o que era inca, só ficaram pequenas ruínas. O único sítio que está verdadeiramente preservado é o maravilhoso Machu Picchu (está tão bem escondido que os espanhóis não o encontraram), passamos 4h a visitá-lo e nem demos conta do tempo a passar, poderíamos ter ficado mais tempo. Também gostamos muito de Pisac e Ollantaytambo e sabemos que mais a norte existem ruínas fantásticas como Kuelap. Mas tirando isso, o Peru é um país de paisagens, foram as paisagens mais lindas e imponentes que já vimos. Seria uma pena ir lá e não aproveitar o melhor deste fabuloso país.


 

Todos os nossos gastos detalhados: Peru | Os nossos gastos em duas semanas

Filha e neta de imigrantes, as malas seguem-me desde a minha infância. O meu sonho, conhecer cada recanto do nosso maravilhoso mundo, faz com que esteja constantemente a pensar na próxima viagem. Natural de França, vivo actualmente no Porto, onde sou médica nas horas de trabalho e viajante nos meus tempos livres.

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