Gêres #2 | De Pincães a Pitões das Júnias

Gêres #2 | De Pincães a Pitões das Júnias

O nosso segundo dia pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, superou as minhas expectativas, nunca pensei ver paisagens destas no nosso país. Decidimos atravessar o parque até o lado transmontano, sendo uma zona pouco turística, estivemos praticamente sempre sozinhos no meio de paisagens que mais pareciam a Escócia do que Portugal. Gostaríamos de partilhar com vocês o que sentimos quando percorremos essas estradas, mas esses momentos não se captam, vivem-se.

Para quem não leu o nosso artigo sobre o nosso primeiro dia pelo parque: De Vieira do Minho a Ermida

Gerês (Vila Real) | Itinerário

Podem ver no seguinte mapa um itinerário pela parte transmontana do Gerês, pode ser feito em 1 ou 2 dias:

Se quiserem tirar boas fotografias da cascata de Pitões das Júnias será melhor ir de tarde, já a cascata Cela Cavalos é melhor de manhã para apanhar sol.

Gerês (Vila Real) | Cascata Cela Cavalos

Esta cascata ainda é pouco conhecida, o acesso em si é fácil, mas é preciso caminhar cerca de meia hora para lá chegar. Fomos num domingo à tarde e tivemos a cascata só para nós. Existem dois acessos que irão ambos dar a uma capela:

  • Para quem vem de Outeiro, seguem pela M308 até aparecer uma placa assinalando “Cela Cavalos“, recomendo deixar o carro nesse largo e descer a pé até à capela (~10min nem tanto). Se tiverem um jipe ou se forem aventureiros podem descer de carro até a tal capela, terão aí um largo onde estacionar o carro.
  • Quanto a nós optamos por deixar o carro na aldeia de Cela, e ir a pé até à capela (~3min).
Capela de Cela

Uma vez que estejam junto à capela, é só seguir a estrada que desce durante ~20-30min, no fim tem uma pequena ponte de onde já conseguem ouvir a cascata. Uma vez frente à cascata, podem aventurar-se e subir do lado direito (junto ao caniço em ruínas) e irão chegar a uma lagoa mesmo por cima da cascata.

 

Podem ver no seguinte mapa interactivo os diferentes acessos à cascata:

Gerês (Vila Real) | Pitões das Júnias

O que visitar?

  • Mosteiro
  • Cascata de Pitões das Júnias

O acesso a estes dois pontos faz-se a partir do cemitério de Pitões das Júnias, podem deixar o carro aí ou descer até à bifurcação e deixar o carro nesse largo. A partir da bifurcação podem optar por ir para o mosteiro (à esquerda) ou para a cascata (à direita).

Não existe nenhum acesso até à cascata em si, mas sim uns passadiços que nos levam até um miradouro. A vista da cascata não é nada de especial (pelo menos no verão por haver pouca água), mas a caminhada pelos passadiços vale a pena pela paisagem envolvente. Podem também ir a pé desde o Mosteiro até à falésia de onde emerge a cascata. Por trás do mosteiro existe um caminho junto ao rio que não se encontra sinalizado, mas se seguirem o rio irão ter ao topo da falésia e poderão assim observar a cascata de cima.

Pitões das Júnias vista por um transmontano

Pitões das Júnias não será a aldeia mais bonita do mundo, não será a mais deslumbrante, nem a mais verde, nem a que terá o melhor clima, não será porventura, também, a que terá as melhores paisagens… Nem precisa. Pitões de Júnias é uma terra fria onde em pleno Agosto as pessoas andam em casaco de lã, onde os recursos são tão poucos em que até há bem poucos anos havia só um boi, que era o boi do povo, um forno de pão, que era o forno do povo, e um relógio solar, que suponho também seria o relógio do povo. Tudo isto no meio de um terreno onde até plantar uma couve pode ser um desafio. E, ao mesmo tempo, nesta rasgada paisagem entre montanhas e a serra do Gerês, coberta por nevoeiro quase da manhã à noite, encontra-se a aldeia do meu imaginário. Toda a minha identidade por lá se encontra e nunca tinha lá posto os pés. Um verdadeiro transmontano respira melhor no meio do nevoeiro, e acha mais bonitas as paisagens que não consegue ver por causa dele, cai-lhe uma lágrima quando vê um escano que nunca usou nem vai usar, delicia-se com um cozido e vinho maduro de Valpaços e sente que conhece toda a gente da aldeia só de os enxergar à distância. Não sei como explicar ou recomendar melhor. Pitões é para mim um encanto e tenho quase a certeza absoluta que há qualquer coisa, que ainda não identifiquei, que começa ou acaba ali. (Axel Ferreira)

Onde comer?

  • Casa do Preto

Servem comida regional caseira, experimentamos o prato do dia, Feijoada à transmontana, muito saborosa. Apesar do restaurante ser grande, convém reservar durante o fim de semana, pois existem grupos de caminhantes que se juntam frequentemente por estas bandas e enchem rapidamente o local.

  • Dom Pedro Pitões

Não existe muita concorrência por aqui, pois só existem estes 2 restaurantes. Não experimentamos este segundo, mas pelas críticas que ouvimos não será tão bom como o primeiro.

Onde dormir?

  • Casa do Preto

Só experimentamos o restaurante, mas o hotel parece ser bastante agradável. Todos os quartos possuem uma televisão e uma casa de banho privada. Ainda existe a possibilidade de alugar bicicletas para explorar as redondezas. Preço por noite com pequeno almoço incluído: 50€.

Gerês (Vila Real) | Outras informações úteis

Trilhos Pedestres

  • Trilho Seixo em Pitões das Júnias (15 km circular)
  • Trilho de Pincães (19 km circular)

Podem ver os trilhos  no seguinte mapa:

 

Onde Dormir?

Ficamos hospedados na Oficina do Joe em Outeiro, uma casa simples onde fomos recebidos por uma senhora muito simpática, o pequeno almoço está incluído e é preparado pela dona com produtos caseiros. Podem ver mais informações sobre este alojamento e efectuar a vossa reserva aqui: Oficina do Joe.

Lago em Outeiro

Cuidados a ter

As estradas transmontanas são boas, mas no inverno torna-se perigoso conduzir nesta zona e algumas estradas ficam cortadas.

Podem ler o nosso artigo sobre a parte central do Gerês aqui –> De Vieira do Minho a Ermida

Para acabar, deixo aqui algumas fotografias aleatórias que fomos tirando na estrada entre Ermida e Pitões das Júnias, passando por Outeiro:

Alguma dica ou sugestão de roteiro pelo Gerês transmontano? Partilhem connosco nos comentários! 🙂

 

Filha e neta de imigrantes, as malas seguem-me desde a minha infância. O meu sonho, conhecer cada recanto do nosso maravilhoso mundo, faz com que esteja constantemente a pensar na próxima viagem. Natural de França, vivo actualmente no Porto, onde sou médica nas horas de trabalho e viajante nos meus tempos livres.

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