Como organizar uma viagem independente?

“Será melhor passar por uma agência ou marcar tudo sozinho?” São muitos os que nos fazem essa pergunta! E eu não acho que haja uma resposta certa ou errada, pois depende de duas coisas, depende do destino e do tipo de experiência que procuram.

Para perceberem melhor, irei falar aqui de 2 tipos de agências: “Agências para Turistas” e “Agências para Viajantes” (para não estar aqui a nomear agências). A primeira categoria corresponde àquelas agências de viagem bem conhecidas, que propõem pacotes já prontinhos com alguns circuitos personalizáveis em hotéis e resorts “de marca”. Essas agências podem ser úteis em certos tipos de viagem, como cruzeiros ou uma viagem de papo para o ar no México. No México verificamos que as agências propunham preços imbatíveis para pacotes típicos “voos + resort”, o preço do resort no Booking ficava geralmente mais caro que o pacote da agência já com voo incluído. As “Agências para Viajantes” são aquelas agências com roteiros “mais atípicos”, onde  propõem experiências mais autênticas, geralmente em alojamentos locais mais pequenos. Temos tido bom feedback da NomadWanderlust e Landescape por exemplo.

Antes da nossa primeira viagem também ficamos confusos e o nosso primeiro intuito foi entrar numa dessas “agências para turistas”. Propuseram-nos um circuito básico de 2 semanas entre Bangkok + Phuket + ilhas Phiphi,  o valor rondava os 2000€ por pessoa apenas para voos + alojamento + transferes. Tendo em conta que era a nossa viagem de finalistas, para além de termos um orçamento apertado, queríamos uma experiência única. Acabamos por organizar a viagem sozinhos, visitamos a Tailândia de norte a sul passando por locais fora dos roteiros turísticos. Gastamos apenas 1650€ em 3 semanas (com todas as despesas incluídas). Obviamente que isso deu trabalho, mas valeu sem dúvida a pena.

Claro que nem toda a gente consegue arranjar tempo (e paciência) para fazer este tipo de “trabalho de casa”. Além disso, há quem adora organizar viagens, esse é o meu caso e nem imaginam a alegria que isto me dá, já sinto que estou a viajar. Mas há quem não goste de andar a fazer pesquisas, há quem prefira ser surpreendido no local, é o caso do Axel. E se o Axel não me tivesse a mim recomendaria-lhe sem dúvida passar por uma “Agência para Viajantes”, porque apesar de não gostar de organizar viagens, ele gosta de fugir dos lugares comuns, gosta de explorar lugares insólitos e conviver de perto com os locais. Já perceberam a ideia, certo?

PARA RESUMIR:

“Agências para Turistas”

  • Vantagens: não têm de se preocupar com nada (excepto com a comida se não for em regime TI), as agências conseguem geralmente melhores preços para férias em resorts ou cruzeiros. Convém informar-se previamente da qualidade dos hotéis propostos.
  • Desvantagens: caras e pouco personalizadas, algumas com grupos bem grandes. 

“Agências para Viajantes”

  • Vantagens: circuitos mais autênticos, experiências únicas, não têm de se preocupar com nada
  • Desvantagens: caras

Viagens Independentes

  • Vantagens: personalizado ao máximo, mais económico, não têm de viajar com um grupo atrás (o que pode ser vantagem para uns e desvantagem para outros)
  • Desvantagens: dá trabalho, mas se lerem este artigo vão ver que não é assim tão complicado.

Se optarem por viajar de forma independente deixo aqui os 10 passos que vos irão ajudar a organizar uma viagem de sucesso:

1ª etapa – Escolher o destino

Pode parecer óbvio, mas é uma etapa fundamental e a base para umas boas férias. É preciso escolher o destino baseando-se em 3 critérios: época do ano, orçamento e tipo de viagem/experiência que procuram. Vejo muitas vezes pessoas escolherem o destino errado para a época do ano, pessoas que vão para o México em Agosto ou para a Indonésia em Dezembro arriscam-se a apanhar tempestade e chuva.  Eu sei que muitos só podem tirar férias em dadas alturas, mas se tiverem alguma flexibilidade nas vossas férias escolham o destino segundo a época do ano. Podem ver uma lista dos melhores destinos a visitar em cada mês do ano aqui: Para onde viajar em cada mês do ano? (artigo em breve)

A escolha também deve ter em conta o vosso orçamento, uma road trip nos Estados Unidos ou uma viagem de mochila às costas da Tailândia não irá custar o mesmo. Informem-se previamente em blogues e sites de viagem para perceber qual a média de gastos no país que gostariam de visitar, evitam assim surpresas desagradáveis.

Por último, o destino também irá depender daquilo que procuram fazer: férias de papo para o ar na praia, caminhadas na natureza, mergulho, desportos de neve, caça às auroras boreais… Voltando ao exemplo da Indonésia, se procuram fazer praia e relaxar não recomendo Bali, mas sim o sul de Lombok. Se pretendem mergulhar nas tradições hindus, assistir a cerimónias e impregnar-se na cultura balinense, nesse caso recomendo sem dúvida Bali.

2ª etapa – Elaboração do itinerário

Esta é a etapa que irá dar mais trabalho, mas é sem dúvida a mais importante de todas. Recomendo fazer isso antes da compra dos voos pois poderá ser mais prático chegar a um dado aeroporto e partir de outro. Não tenho nenhuma receita mágica, mas vou partilhar aquilo que eu costumo fazer. A minha inspiração vem geralmente de outros blogues de viagem, mas quando já tenho uma ideia fixa do destino, como foi o caso da Indonésia, pesquiso da seguinte forma: “roteiro Indonésia“, “blogue de viagem Indonésia“, “2 semanas na Indonésia“. Geralmente já fico com uma ideia do itinerário e depois vou aperfeiçoando a pesquisa: “O que visitar em Ubud“, “lugares insólitos em Bali“, “Bali off the beaten track“, “Melhores praias de Lombok“… e por aí adiante.

Esta pesquisa costuma durar vários dias, nos meus tempos livres vou lendo relatos de outros viajantes para me inspirar e seleccionar os locais/cidades que se enquadram no tipo de experiências que procuramos nas nossas viagens. 

Queria apenas referir que faço as minhas pesquisas principalmente em francês, e por isso encontro informações diferentes e mais detalhadas. Os bloggers têm um papel diferente na sociedade francesa, além disso viajam muito mais. Dar a volta ao mundo tornou-se em algo quase banal para um francês ou um suiço. Existem centenas de blogues franceses de grande qualidade  que abrangem uma quantidade incrível de destinos, e por isso encontro sempre bem mais informações pesquisando na minha língua materna. Com isto não quero dizer que não haja bons blogues portugueses, muito pelo contrário. Não podemos é comparar a população portuguesa com a francesa, há menos blogues portugueses porque simplesmente somos menos. A blogosfera portuguesa está em crescimento, e fico imensamente feliz por fazer parte desta família de bloggers que inspiram os portugueses a viajarem cada vez mais e melhor.  

Podem ver aqui uma lista dos blogues que nos inspiram diariamente (artigo em breve)

3ª etapa – Comprar os voos

A primeira coisa a fazer é mais uma vez pesquisar em blogues, fóruns e sites de viagem para saber o preço médio de um voo para o destino pretendido e ter assim uma ideia de qual seria um “bom preço” para os bilhetes. Só depois de fazer isso é que devem então pesquisar em sites como o Momondo e Skyscanner. Esses sites são muitos úteis pois comparam várias companhias aéreas e torna-se assim mais fácil encontrar um voo mais barato. Mas não basta entrar lá a origem e o destino pretendido. É preciso fazer múltiplas pesquisas para encontrar o voo certo.

Primeiro, para encontrar um voo em conta é preciso ter alguma flexibilidade nas datas e fazer pesquisas com datas diferentes. Há por exemplo companhias aéreas que só voam em certos dias da semana. É o caso por exemplo da Norwegian Airways. A primeira pesquisa que fiz para a nossa viagem à Croácia mostrou-me preços assustadores, mais de 300€ ida e volta! Isto porque coloquei domingo como dia de regresso, quando fiz a pesquisas para voltar num sábado o preço baixou para metade, porque a Norwegian Airlines só realiza voos aos sábados nesta rota (Barcelona –> Dubrovnik).

E assim chego ao segundo ponto. É essencial pesquisar voos colocando como ponto de partida diversas cidades europeias como: Madrid, Barcelona, Londres, Milão, Paris, Munich, Frankfurt… poderão encontrar diferenças bem grandes e fazem depois a ligação com voos low cost para essas cidades. Voltando ao exemplo da Croácia, encontramos esse tal voo da Norwegian por 90€ ida e volta colocando Barcelona em vez do Porto e compramos depois um voo por 50€ ida e volta do Porto para Barcelona.

Tenham também em atenção a hora de chegada e de partida. Um voo a 40€ que vos faz chegar numa sexta à noite pode sair mais caro que um voo a 60€ que vos faz chegar num sábado de manhã, porque poupam uma noite no hotel. Isto é ainda mais importante nos voos de longa duração, há voos mais práticos que outros para se adaptar ao jetlag.

Após encontrar o vosso voo ideal, recomendo ir diretamente ao site da companhia aérea para realizar a compra. Como já disse, os sites como Momondo e Skyscanner são espectaculares, mas não recomendo comprar os voos por lá. No momento de fazer a compra, esses sites reencaminham para outros sites como Edreams, Gotogate, Tripair… Basta fazer uma breve pesquisa na net para perceber que nem sempre corre bem quando passamos por esse tipo de sites. E falo por experiência (quase) própria, a minha mãe comprou um voo pela Edreams e dias depois foi lhe cobrado um valor extra no cartão, ainda hoje não sabemos porque, a verdade é que isto acontece frequentemente. E isto ainda é o menos, há quem tenha ficado sem o voo. Não me vou alongar mais sobre o assunto, irão encontrar vários testemunhos na net. Cada um é que sabe de si, os preços são tentadores, sem dúvida, mas nunca ouviram dizer que “o barato sai caro“?

4ª etapa – Marcar a consulta do viajante e tratar da parte administrativa

Em regra geral, se tencionam viajar para África, América Central, América do sul e Ásia, será recomendado ir a uma consulta do viajante. Não deixem para a última a marcação da consulta, pode demorar mais de 1 mês até conseguir uma vaga. Podem ver aqui os diferentes locais que realizam consulta de viajante pelo SNS: Consulta do Viajante

Não vou voltar a ser chata com isto, mas acho essencial ir a uma consulta do viajante. Por muito que uma pessoa viaja, por muito que uma pessoa esteja informada, nunca é demais ter conselhos por parte de um profissional especializado nessa área. Somos ambos médicos, sei perfeitamente fazer as pesquisas para saber se é necessário realizar alguma vacina ou não, mas não é por isso que deixo de ir a uma consulta do viajante. Os conselhos dos nossos colegas são sempre bem vindos. Quanto mais viajamos, menos precauções tomamos e acabamos por cometer erros e esquecermo-nos de coisas básicas. Por isso é sempre bom relembrar e partir prevenido.

Relativamente à documentação, recomendo vivamente consultar o site do Portal das Comunidades para saber quais os documentos necessários para a vossa viagem. Esse site é sem dúvida uma fonte de informações bastante úteis para os viajantes.

5ª etapa – Alugar carro e/ou contratar guia

No caso da vossa viagem incluir aluguer de carro ou contratação de guia/motorista, é preciso fazer algumas pesquisas prévias e não deixar isso para perto da viagem, pois o aluguer fica mais barato se for reservado com antecedência (no mínimo 3 meses antes). Relativamente ao aluguer do carro, costumo procurar em blogues e fóruns recomendações de companhias e privilegio empresas locais. Quando não encontro dessa forma acabo por passar pelo site da Autoeurope. Para o guia/motorista é a mesma coisa, procuro no tripadvisor, blogues e fóruns boas recomendações.

6ª etapa – Reservar os hotéis

Esta etapa pode demorar, mas vale a pena perder algum tempo para escolher o alojamento ideal. Procuro sempre no Booking porque é o site com mais avaliações e comentários de viajantes, para além de ter imensos filtros para fazer a pesquisa. É seguro, não há taxas escondidas e os comentários ajudam imenso. Existem outros sites como o Agoda, Hostelworld… no início pesquisava nesses sites todos, mas cheguei rapidamente à conclusão que o Booking é bem melhor e acabo por encontrar mais rapidamente o alojamento ideal por lá. Um bom hotel tem nota superior a 8,5/10 com pelo menos 80-100 comentários para ser “fiável”.

Uns dias antes da viagem, recomendo combinar a hora do check-in com os anfitriões  e apontar os contactos bem como as moradas dos hotéis. Eu crio sempre um documento Google docs, que fica disponível offline, e vou apontando lá o itinerário e todas estas informações úteis para ter sempre disponível a qualquer momento da viagem. 



Booking.com

No blogue irão encontrar vários links e caixas de pesquisa do Booking como esta, isto porque decidimos criar uma parceria com eles. Podíamos ter feito com outros, mas optamos pelo Booking porque é a plataforma que usamos e na qual confiamos. Ao fazerem as vossas reservas por esses links/caixas estarão a ajudar-nos sem pagar mais por isso. Por muito pequena que seja a comissão que ganhamos, ajuda-nos, pois para quem não sabe, a manutenção de um blog custa dinheiro e dá muito trabalho! Por isso agradecemos a todos os que nos têm apoiado neste projecto, nunca é demais repetir que sem vocês os Destinos Vividos não existiriam :))

7ª etapa – Aperfeiçoar o roteiro

Esta etapa pode ser opcional para os menos picuinhas. O que eu entendo por aperfeiçoar o roteiro, é fazer uma lista dos sítios a visitar em cada etapa do roteiro, escolher restaurantes no tripadvisor para cada dia, procurar os melhores miradouros, saber onde ficam os parques de estacionamento, onde vão poder abastecer o carro… Como já disse mais acima, aponto todas estas informações num documento Google Docs para ter sempre comigo. Acreditem que facilita imenso durante a viagem ter toda a informação reunida num único documento que fica disponível offline.

8ª etapa – Comprar os voos internos e outras deslocações

Depois de já ter o roteiro bem definido então aí sim, já podem comprar as deslocações internas. Já nos aconteceu aperfeiçoar o roteiro depois de já ter comprado voos internos, e depois queríamos acrescentar uns dias num sítio e já não foi possível. Não se esqueçam que as condições das bagagens podem mudar para os voos internos, bem como os aeroportos. Por exemplo, em Bangkok existem 2 aeroportos, já ouvi histórias de pessoas que foram para o aeroporto de Suvarnabhumi (o aeroporto internacional) quando o voo partia do aeroporto Don Muang (o aeroporto dos voos domésticos).

9ª etapa – Reservar atividades e/ou comprar excursões

Esta etapa também pode ser opcional para países asiáticos ou da América Latina, porque na maior parte desses países fica mais em conta comprar excursões no próprio local. Mas para outros países pode compensar comprar antes pela net. É o caso da maioria das cidades europeias, que seja Barcelona, Madrid, Milão, Roma, Paris… certas visitas podem se transformar em horas de filas nas principais cidades europeias. Além disso algumas visitas são mais baratas se compradas online (é o caso da maioria das atrações de Barcelona). 

10ª etapa – Comprar o seguro de viagem

Por fim, não se esqueçam do seguro de viagem! Pode ser comprado nos dias que antecedem a viagem e já tivemos vários exemplos de que vale sem dúvida a pena. Mais vale perder o dinheiro do seguro do que perder centenas de euros com acidentes que podem acontecer a qualquer um. Ninguém está safo. Desde uma simples queda, a uma repatriamento urgente, uma gastroenterite mais intensa, um cancelamento de voo, perda de bagagens… a lista de coisas que podem acontecer é bem grande e já as vimos acontecer a várias pessoas. E aqui lembro-me da minha amiga, que meses antes de nós, foi para a Indonésia. Estava a ser uma verdadeira alegria seguir a viagem dela sabendo que semanas depois estaria nos mesmos locais, quando de um dia para o outro deixei de ter notícias. Nada de muito grave, mas um valente susto à custa de um passeio de bicicleta, seguiu-se uma queda acidental nos arrozais de Bali e uma fractura da clavícula com internamento e em seguida repatriamento. A sorte dela: fez um seguro de viagem. Mais uma vez vou citar o velho ditado, “o barato sai caro“.

Após ter feito imensas pesquisas, simulações, comparações e após ter experimentado 3 seguros diferentes, não tenho dúvidas. Os seguros da World Nomads são os mais completos. São caros, sim, mas são muito eficientes, respondem e reembolsam rapidamente. Para estadias de vários meses talvez não seja a melhor opção, e nesse caso só posso recomendar os três seguintes: Chapka Assurance, ACS e Marco Polo. Não os experimentei, mas muitos bloggers franceses, habituados a viagens de longa duração, recomendam esses 3 seguros.

Recomendo ler o nosso artigo sobre Seguros de Viagem para tirarem algumas dúvidas e fazerem uma escolha informada. 

Espero que este mini guia seja útil e que vos incentive a viajar de forma independente, porque acreditem, vale a pena! Se tiverem dúvidas ou dificuldades podem sempre contactar-nos enviando um e-mail para destinosvividos@gmail.com