CHINA, JAPÃO e COREIA DO SUL | Roteiro de 1 mês

CHINA, JAPÃO e COREIA DO SUL | Roteiro de 1 mês

Destino Partilhado por Cidália Teixeira

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ROTEIRO Pequim-Shanghai-Suzhou-Seoul-DMZ (Zona Desmilitarizada)- Osaka-Hiroshima-Kyoto-Tokyo-Hong Kong- Macau – em 29 dias

O oriente sempre fez parte do meu imaginário. Como grande fã de Geografia e de História, todo o território a leste da Europa exerce um fascínio inexplicável sobre mim. O maridão tinha como sonho ver de perto a muralha da China. Eu tinha uma especial atração pela região de Kyoto no Japão. China e Japão numa mesma viagem pareceu-nos a priori impossível pelo mais que provável enorme custo. Por isso íamo-nos cingir apenas à China. Nas pesquisas, um voo multi destinos a ótimo preço deu-nos o empurrão inicial: Madrid-Pequim/ Hong-Kong-Madrid na Swiss Air. Depois acrescentámos Shanghai e Suzhou que faríamos de comboio a partir de Pequim. Que belo programa idealizado com 10 meses de antecedência!

Passado um mês e numa tentativa estouvada de complicar a jogada, eis que surge um bom preço para Shanghai-Seoul/ Seoul-Osaka na Asiana AIrlines. Osaka fica perto de Kyoto e ir ao Japão também pressupõe conhecer a capital, Tokyo. Num ápice, desenhámos logo o nosso roteiro: Madrid-Pequim_Shanghai-Suzhou-Seoul-Zona Desmilitarizada_Osaka-Hiroshima-Kyoto-Tokyo-Hong-Kong-Macau e regresso a Madrid. Tudo em 29 dias.

Let’s go!

Pequim

Ficámos três noites, reservamos o hotel pelo Booking (Beijing Prime Hotel Wangfujing, estação de metro Dongsi) tendo o especial cuidado de verificar que os funcionários falavam inglês pois é sabido que na China falam muito pouco inglês. Chegámos às 5h da manhã ao aeroporto, fomos até ao centro de comboio e metro, muito fácil, cómodo e barato. A rua Wangfujing é a maior artéria comercial de Pequim. É onde se situa o famoso mercado noturno onde se pode comer escorpiõezinhos e bichos da seda no espeto e afins. A nossa escolha foi excelente já que também é uma zona central. Assim no primeiro dia, com um terrível jet lag colado ao corpo, aventurámo-nos pela gigantesca Cidade Proibida, o parque Jing Shan com no seu topo o Pavilhão de Wancheng. À noite, fomos então conhecer o célebre mercado noturno onde se vende tudo e mais alguma coisa além das especialidades gastronómicas fora do vulgar.

Para o segundo dia, tínhamos reservado a visita ao troço da muralha de Mutianyu. O troço mais visitado é o de Badaling, que inclusive foi objeto de restauro etc. A maioria das excursões organizadas pelos hotéis à muralha da China levam os turista a Badaling pois é mais perto e está mais apetrechado ao turismo. Desde o início, risquei Badaling do mapa por pressentir que iria detestar esse fluxo massivo de turistas. Assim, após algumas pesquisas, decidimo-nos por Mutianyu que se situa um pouco mais longe de Pequim, mas oferece uma qualidade de visita muito superior. Não há tantas lojas de “recuerdos”, cafés etc mas temos muito mais chances de tirar fotografias em condições, sem mil e um turistas atrás de nós. Contratamos um guia particular, Michael Dong, que nos foi buscar ao hotel, levar à muralha e, na volta, deixar-nos no Palácio de Verão (atração turística mais longínqua da cidade). O guia domina perfeitamente o inglês, é muito simpático, contou-nos bastante sobre a história da China, da muralha… e facilitou-nos ainda a compra dos bilhetes. Para aceder à muralha, fomos de teleférico e descemos de escorrega gigante (espécie de bobsleigh com um manípulo que usamos para travar ou acelerar). A visita a Mutianyu superou todas as expetativas: vimos a imponência da muralha, as paisagens maravilhosas e pouca gente in loco. O Palácio de Verão também surpreende pelo tamanho e beleza dos detalhes arquitetónicos, nomeadamente o Salão da Benevolência e da Longevidade, a Torre da Fragância de Buda, o Pavilhão de Bronze, a ponte dos 17 arcos… Nesse dia, ainda tivemos tempo de ir ao jardim zoológico para ver os pandas (o grande pedido da nossa filha) e ainda o parque olímpico já ao entardecer (estádio Ninho de Pássaro, Cubo de água).

No terceiro dia, visitámos o Templo mais conhecido por Templo do Céu, mas cujo nome verdadeiro é Salão de Oração das Boas Colheitas. Quando se entra no recinto, sentimos logo uma paz que nos invade a alma. De seguida, apanhámos o metro (por sinal, o melhor meio de transporte dentro de Pequim) para visitar o Templo dos Lamas, o famoso mosteiro de lamas tibetanos. Ainda tentámos ir ao Templo de Confúcio, mas não o encontrámos por incrível que pareça. De qualquer modo, os objetivos iniciais tinham sido atingidos. À noite, fomos à Praça Tienanmen e esta estava fechada, conseguindo apenas circundá-la por fora até chegar ao museu Nacional. Em Pequim, tal como em Shanghai, existe um rigoroso controlo de segurança em todos os edifícios públicos (museus, metro, estações de comboio etc.).

Templo do Céu

Shanghai

De Pequim a Shanghai, são cinco horas e pouco de viagem no comboio bala. Comprámos os bilhetes online no site Chinahighlights por mais ou menos 80 euros por pessoa. Da estação de comboio de Shanghai Hongqiao ao centro, utilizámos o metro (tal como em Pequim, é o melhor transporte). Reservámos no booking um aparthotel a 5 minutos da Praça People’s Square, mais central, impossível! Ficámos cinco noites em Shanghai, sendo que um dia iria ser passado todo em Suzhou, a Veneza do Oriente.

Canal em Suzhou

Shanghai impressiona pelo modernismo flagrante e que coabita facilmente com a tradição dos bairros mais antigos. Em quatro dias visitámos todos os ex libris da cidade, a saber: Nanjing East Road, The Bund (com seus edifícios coloniais), os Jardins Yu, o Bazar Oriental e a célebre Casa de Chá Huxinting, a travessia do Bund até Pudong (margem esquerda onde se situam os arranha-céus sobejamente conhecidos da cidade) de ferry, a Lujiazi Road, a Pearl Tower, a Jinmo Tower e o Shanghai World Financial Observatory – o quarto teto do mundo- onde subimos a 492 m do chão para ter a cidade aos nossos pés.

Arranha céus em Pudong

 

Incluímos ainda no nosso roteiro de visitas a People’s Square, West Nanjing Road, o Templo Jing’An e ainda o bairro French Concession. Em Suzhou, visitámos o Jardim do Humilde Administrador (a não perder), os canais que fazem da cidade a Veneza do Oriente, a rua Pingjiang e ainda o magnífico pagode octogonal Beisi Ta e seus jardins.

Beisi Ta

Saímos de Shanghai para o aeroporto internacional de Pudong em metro para viajar na excelente companhia Asiana Airlines até Seoul, capital da Coreia do Sul. Esta companhia tem tudo a seu favor: conforto da classe económica, boa distância entre os assentos, entretenimento a bordo, boa comida.

Peoples Square

 

Seoul

Bukchon Village

 

O aeroporto Incheon de Seoul é desde logo um belo cartão de visita do país: modernidade, sofisticação e tecnologia. Seoul é mesmo isso, uma cidade que conseguiu emergir das amarguras da guerra e tornar-se uma potência tecnológica de grande valor. Quatro noites pareceram-nos suficientes para termos uma pequena ideia desta cidade. Ficámos alojado no hotel Hill House, reservado no site Hoteis.com, a cinco minutos do bairro central de Myeongdong onde tudo acontece. Reservámos no site Viator a excursão à DMZ (Zona Desmilitarizada junto à Coreia de Norte) pois sabíamos que seria mais difícil fazê-lo por conta própria.

Jardins do Palácio Geongbokgung

A excursão inclui a viagem de autocarro (uma hora de trajeto para cada lado), um guia particular, a visita ao Imjak Tourist Resort (Freedom Bridge…), ao terceiro túnel (um dos quatro túneis secretos feitos escavados pela Coreia do Norte e descobertos pela Coreia do Sul), à pequena localidade de Panmunjeon onde se pode avistar logo a Coreia do Norte e sua cidade fronteiriça fantasma. Ainda se tem oportunidade de visitar a estação de comboio de Dorasan, feita com dinheiro de cidadãos da Coreia do Sul, esperançados em ver um dia a Coreia reunificada e rever seus familiares. Na viagem de regresso, faz-se uma paragem numa fábrica do famoso ginseng de seis anos antes de almoçar num restaurante típico com comida típica (infelizmente, toda ela picante. Os coreanos carregam demasiado no picante). Em Seoul, adorámos ver o Bukchon Village (bairro tradicional coreano, com muitas pessoas vestidas com o traje tradicional, o hanbok) assim como o Palácio Gyeonbokgung e o render da guarda. Este palácio é uma joia tradicional dentro do cosmopolitismo da cidade.

Entrada Palácio Geongbokgung

Osaka + Nara

A viagem de Seoul até Osaka também foi com a Asiana Airlines. Antes de viajar para o Japão, tivemos o cuidado de comprar o JR Pass que é um passe de 7, 14 ou 21 dias (nós escolhemos o de 7 dias por 220 euros, cada adulto) que nos permite utilizar todos os comboios da rede JR (a grande maioria em todo o país) incluindo os Shinkansen (comboio bala). Os comboios no Japão não são nada baratos pelo que se fizermos dois trajetos grandes (o caso de Hiroshima-Kyoto/ Kyoto-Tokyo), já compensa comprar o passe. Este ainda se pode utilizar no ferry para ir à ilha de Miyajima, na linha de metro circular JR de Tokyo, na linha JR de comboio suburbano em Kyoto etc etc.

Castelo de Osaka

Em Osaka, só ficámos duas noites, sendo que um dia seria para visitar a cidade e outro para ir até Nara. Sinceramente, Osaka não seria uma cidade a contemplar no roteiro (não fosse termos encontrado uma tarifa tão boa desde Seoul). Mas afinal, Osaka surpreendeu-nos pela positiva. Hospedámo-nos no Daiwa Roynet Hotel Osaka Kitahama, reservado no Booking, um ótimo 3 estrelas a trinta segundos da estação de metro Kitahama mas que facilmente se enquadraria como 4 estrelas pelo conforto, instalações, profissionalismo e dedicação dos funcionários. Aliás, todo o Japão é mestre na arte do bem receber. A educação e civismo das pessoas destaca-se ao mais alto nível. É impossível não gostar deste país. Tudo é feito para satisfazer o outro.

Rua Dotombori em Osaka

Osaka é a terceira maior cidade do Japão. Num dia, visitámos o Castelo, o Umeda Sky Building onde se pode ter uma vista privilegiada da cidade, o templo de Namba Yakasa (um templo em forma de cabeça de dragão muito original e sui generis), a rua pedonal Dotombori onde fica o célebre cartaz luminoso da Glico. O segundo dia foi dedicado à cidade de Nara, a cidade dos “bambis” onde centenas de cervos deambulam pelas ruas, parques. De Osaka, basta apanhar o metro e a linha de comboio JR até Nara (trajeto de aproximadamente 50 mn). Deixámos as malas num cacifo da estação Tennoji em Osaka e lá fomos ver Nara. A paisagem é idílica: verde, cervos (vistos como mensageiros dos deuses), templos. O templo Todaiji é imperdível pois é o maior templo de madeira de todo o Japão. Adorámos também o santuário Kasuga com suas centenas lanternas de pedra. Comemos a especialidade da zona: uma omelete alta de camarão maravilhosa cujo nome é Okonomiyaki, sobejamente conhecida também em Hiroshima. É de comer e chorar por mais! Após a visita a Nara, seguimos em direção a Osaka para apanhar as malas e seguir viagem até Hiroshima no comboio-bala Shinkansen.

Nara

Hiroshima

Hiroshima era para mim ponto obrigatório de paragem. Sou apaixonada pela História e pela II Guerra Mundial. Como tal, teria que ver in loco o lugar onde caiu a bomba atómica. Outro ponto que eu aguardava com ânsia era a ilha de Miyajima. O hotel escolhido para duas noites na cidade foi o Toyoko Inn 206, a 5 minutos da estação Shin Hiroshima. Nesta viagem, a proximidade com as estações de comboio/ metro foi realmente uma das grandes prioridades e foi claramente uma aposta ganha.  

Hiroshima – A Bomb Dome

No primeiro dia em Hiroshima, apanhámos logo pela manhã cedo o comboio JR da linha Sanyo até à estação de Miyajimaguchi (30 min de viagem) e ainda o ferry até à ilha, tudo incluído no JR pass. Tínhamos visto que a maré ia vazar ao longo do dia, daí termos saído cedo para podermos ver ainda a torii laranja flutuante (porta sagrada à entrada dos templos) do Templo Itsukushima coberta com água… o que conseguimos efetivamente. É a imagem que eu trazia na cabeça dos templos nipónicos, essa e a do templo Inari em Kyoto.

Miyajima

A ilha de Miyajima é um encanto e um “spot” perfeito para os amantes de fotografia. Por opção, não entrámos no Templo Itsukushima pois já tínhamos visto tantos templos até aquele momento que não nos pareceu de todo imprescindível esta visita a pagar. Preferimos deambular pelas ruas da ilha, seguir alguns trilhos na natureza. Visitámos outro templo de forma gratuita, o Daisho In que é uma autêntica fofura e que superou as expetativas. Ao regressar ao cais, apercebemo-nos que a maré tinha vazado totalmente ficando a torii laranja sem água e concomitantemente à mercê de centenas de turistas que faziam questão de tirar foto mesmo “colados” a ela. Quando vimos tal cenário, fugimos a sete pés pois o encanto acabara-se aí nesse mesmo minuto. Regressámos a Hiroshima.

Miyajima

No dia seguinte, fizemos a visita à zona atingida pela bomba atómica: o A Bomb Dome cuja armação da cúpula ainda é visível, o Parque Memorial da Paz, o Monumento às Crianças, o Cenotáfio, o Museu do Memorial da Paz. Os locais visitados não deixam ninguém indiferente. As cicatrizes arquitetónicas são visíveis, os testemunhos orais impressionam, os objetos encontrados após o dia fatídico e expostos no museu transmitem uma tristeza e ao mesmo tempo revolta ímpares. Ainda tivemos tempo de ir ao castelo de Hiroshima, não tão bonito e imponente quanto o de Osaka. Estava na hora de seguir viagem até Kyoto (a minha grande expetativa!!!).

Hiroshima – A Bomb Dome

Kyoto/ Quioto

De comboio-bala até Kyoto são aproximadamente duas horas de viagem. Era a capital do Japão imperial até 1868, ano em que foi substituída por Tokyo. Da estação de Kyoto, apanhámos um comboio suburbano da linha Sagano até Nijo onde perto ficava o nosso hotel, uma espécie de guesthouse ao bom estilo japonês, o Rinn Nijo Castle (reserva feita pelo Booking), a 5 minutos do castelo de Nijo. Se nas outras cidades o metro, tal como na China, é o melhor meio de transporte, em Kyoto, só há duas linhas de metro. A rede de autocarros é maior e mais eficiente. Ficámos três noites em Kyoto e foram suficientes para conhecermos razoavelmente a cidade dos mil e um templos. Aqui, tivemos que fazer escolhas pois o leque é imenso. No primeiro dia, matámos dois grandes coelhos de uma cajadada só: a floresta de bambú de Arashiyama na parte da manhã e o templo Fushimi Inari (das inúmeras torii laranja) à tarde.

Floresta bambú Arashiyama

Da estação de comboio JR de Nijo até Arashiyama, demora-se apenas 10 minutos. Saímos cedo para podermos desfrutar da floresta sozinhos antes da chegada das excursões. E conseguimos! Convém levar repelente pois os mosquitos são mais que as mães. O passeio é muito agradável, sentimo-nos engolidos pela altura dos bambús e imensidão da floresta. Há um miradouro onde se pode avistar o rio e a linha do comboio romântico de Sagano. O templo Fushimi Inari fica a 10 minutos da estação de Kyoto. É um dos templos mais visitados dos arredores de Kyoto e percebe-se porquê. O longo corredor de toriis laranja embeleza o monte Inari de uma maneira absolutamente inigualável.

Entrada Templo Inari em Kyoto

À entrada, somos recebidos pelas estátuas de raposas, as mensageiras do templo Inari (do arroz). No topo, encontram-se dezenas de milhares de túmulos para o culto privado e uma vista espetacular sobre a cidade. O “trilho” de aproximadamente quatro quilómetros até ao cume do monte Inari é em sentido ascendente com bastante inclinação e degraus. Daí que quanto mais se sobe, mais pessoas desistem da caminhada e  mais livre fica o caminho para fotos exclusivas. Este templo é verdadeiramente um “must do” em Kyoto.

Templo Fushimi Inari

No segundo dia, com o passe de autocarro na mão, dirigimo-nos logo cedo para o Templo do Pavilhão Dourado (Kinkakuji), outro ex-libris da cidade. O templo e o jardim são mesmo lindos, arrebatadores.

Pavilhão Dourado

Em seguida, foi a vez do Templo Prateado (Ginkakuji) que de prateado só tem o nome já que quem mandou erigir tal templo morreu antes de se fazer a cobertura de prata. Tal como o Pavilhão Dourado, aqui respira-se o ambiente deveras zen. Após sair deste templo, percorremos o Caminho do Filósofo, não na totalidade porque preferimos apanhar o autocarro e ir diretamente para outro templo: o templo de Yakasa já perto do famoso bairro Gion, o bairro das geishas. Passear por esse bairro é também um dos “must do” de Kyoto, encontrar uma geisha no seu belo fato adornado faz parte do roteiro tipicamente quiotense. Ainda tivemos tempo de ir até ao Palácio Imperial e visitar os vários aposentos assim como o seu jardim. A entrada é gratuita. 

Geisha em Gion

Tokyo

Após uma tentativa frustrada de ver o Monte Fuji desde Shizuoka, seguimos para Tokyo no comboio Shinkansen. Desde Quioto, são aproximadamente 2h40 de viagem. A nossa escolha de alojamento na capital nipónica recaiu num apartamento triplex reservado na plataforma Airbnb em Bakurocho, a duas estações de comboio JR da estação principal de Tóquio. Não é nenhuma novidade que o alojamento no Japão é a parte que arromba o orçamento. Uma vez que a minha cunhada veio ter connosco ao Japão, vimos que um apartamento com dois quartos, uma sala, cozinha e casa de banho ficaria em 400 euros para três noites, a dividir por dois casais. Perfeito pois qualquer quarto de hotel com casa de banho privativa ficava bem acima dos 80 euros e não eram extraordinários. Ora o nosso apartamento estava a 5 mn do metro Bakurocho, a duas estações de Tokyo Station e com o JR Pass, conseguiríamos andar no metro para fazer a maior parte das atrações planeadas.

Na primeira noite, fomos logo ao Tokyo Metropolitan Government Building, o edifício que abriga a sede do Governo Metropolitano de Tóquio, mais precisamente à torre norte (a sul só está aberta até às 17h00). Do alto dos seus 243 metros, podemos aceder ao observatório e ter uma vista privilegiada sobre a cidade e ainda, com sorte e céu limpo, avistar o Monte Fuji. Nós só conseguimos avistar o seu contorno por detrás de uma fina neblina. A entrada é gratuita e vale muito a pena.

Tokyo – Metropolitan Government Building

No dia seguinte, fizemos a linha circular do metro JR (Yamanote Line) e vimos o bairro da eletrónica, Akihabara, onde reinam os neons psicadélicos, as lojas de manga, os salões de Pachinko, um jogo que é uma mistura de pinball e slot machine e do qual os japoneses são grandes fãs/ viciados. Os fãs de tecnologia devem passar obrigatoriamente por aqui. O parque Ueno é um dos pulmões da cidade. Aqui podemos ver templos, há um jardim zoológico (não entrámos) e um enorme lago repleto de lótus.

Parque Ueno

Reservámos a tarde para passear nos bairros famosos de Tóquio: Shinjuku (Kabukicho, Golden Gai), o bairro extravagante de Harajuku (a rua Takeshita Dori), o Yoyogi Park e seu templo Meiji Jingu e ainda fomos até Shibuya para ver a estátua célebre do cão Hachiko (que esperou dez anos pelo seu dono que entretanto morrera de um enfarte). É também em Shibuya que existe o cruzamento mais movimentado do mundo. Para ter uma visão perfeita desse movimento, bastar ir até ao Starbucks e subir ao primeiro andar e assistir a esse belo espetáculo, gravar vídeos em timelapse… Nesse dia, voltámos à noite a Shibuya para ter a perspetiva noturna e foi igualmente espantosa.

Cão Hachiko

O último dia na capital foi passado no mercado de peixe de Tsukiji Market. Não fomos ao leilão de atuns que diariamente acontece a partir das cinco hora da manhã e cuja entrada é limitada. Contentámo-nos com a visita ao mercado, às várias bancas de peixe, os vários restaurantes de sushi (dizem os entendidos que é onde se come o melhor sushi de Tóquio). Andámos bastante a pé e explorámos a zona chique de Ginza onde pululam as lojas das griffes mais sonantes do mundo da moda e basicamente todos os artigos de luxo até chegar à Tokyo Station e seguir para “casa” para fazer as malas. Entretanto, chegaria uma má notícia: o tufão Hato tinha causado vários estragos em Macau e víamos a nossa reserva de hotel lá anulada. Conclusão, tivemos que reservar à última da hora mais uma noite em Hong Kong.

No vigésimo terceiro dia de viagem, viajámos de Tóquio (aeroporto de Narita) até Hong Kong na Vainilla Air (low cost japonesa ao estilo de RyanAir). O bilhete ficou-nos em 60 euros.

Hong Kong

A sobriedade, silêncio, disciplina e ordem japoneses ficaram para trás. Hong Kong, como região administrativa especial da China (embora pertencente durante mais de um século ao império britânico até 1997) espelha o que encontrámos em Pequim e Xangai: caos no trânsito, fluxo dantesco de transeuntes, uma miríade de cheiros espalhados no ar (uns bons, outros nauseabundos…). Hong Kong é o cruzamento do oriente com o ocidente. Do aeroporto, apanhámos o comboio Airport Express até Central e seguimos numa shuttle gratuita até à zona do nosso primeiro hotel em North Point reservado em cima da hora devido ao cancelamento da noite reservada em Macau.

Hong Kong

Reservámos pelo booking o hotel Butterfly on Hollywood, na Hollywood road,  a 5 minutos da estação Sheung Wan (a uma estação de metro de Central). A localização era perfeita pois era na ilha de Hong Kong, tínhamos o cais do ferry para Macau a 10 mn a pé, o metro a 5 minutos tal como a paragem do elétrico mais famoso da cidade: o ding ding. Passámos a primeira noite no Grand View Hotel em North Point no outro lado da cidade. A zona é algo confusa, muitos prédios amontoados dando, à primeira vista, a sensação de se estar numa favela. E achei logo curioso de ver o hotel enormíssimo numa rua com um mercado em plena rua: carne dependurada à mercê de insetos e demais bicharada; peixe, marisco, bolos de todos os feitios à espera de serem comprados. O ar pesado e a extrema humidade juntamente com a sujidade das ruas fizeram-me por momentos pensar que estaria num país do terceiro mundo. No segundo dia, fizemos o check-in no hotel reservado com seis meses de antecedência (Butterfly on Hollywood) e, após uma trégua na chuva torrencial que ia caindo, resolvemos ir ao Templo Man Mo, templo dedicado ao deus das Letras e da Guerra. Embora não seja muito grande, ele destaca-se porque contrasta com a confusão do distrito financeiro e dos edifícios altos da região central. O ponto alto do templo é um salão que tem dezenas de incensos gigantes em espiral pendurados no teto. Na zona de Central, encontramos o cais do ferry que liga Hong Kong a Kowloon, o mítico Star Ferry.

Star Ferry

Em Central, vemos os inúmeros arranha-céus que se iluminam à noite para regozijo dos turistas e locais que assistem à Sinfonia das Luzes diariamente a partir das 20h. Foi o que fizemos no segundo dia após a travessia no Star Ferry. Do outro lado de Hong Kong, em Kowloon, percorremos parte da avenida das estrelas (com a estátua de Bruce Lee) e o jardim das estrelas. Essa zona está a ser alvo de intervenção. A sinfonia das Luzes é um espetáculo de som e luz ao qual ninguém fica indiferente: o skyline de Hong Kong ilumina-se, muda de cor e momentaneamente somos transportados para um mundo feérico.

Skyline Hong Kong – Sinfonia das Luzes

Ao terceiro dia, aproveitámos uma melhoria do tempo para ir até Macau. A uma hora de Hong Kong, num ferry todo moderno (Turbojet), abraçámos Macau e todos os vestígios da Pátria lusa em cada recanto: a calçada portuguesa, os azulejos, a toponímia das ruas, das praças; os pastéis de nata, o bacalhau, a arquitetura… As Ruínas de São Paulo, o Largo do Senado, o Grand Hotel Lisboa, o Casino Lisboa, a Igreja de São Domingos, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais fizeram parte do nosso roteiro. Que bom voltar momentaneamente a casa! Macau é igualmente sinónimo de opulência, casinos e hotéis colossais como os faraónicos The Venetian, The Parisian, Galaxy (entre outros, não conseguimos ver todos) na ilha de Taipa: a Las Vegas do oriente.

Largo do Senado
Ruínas de São Paulo

No penúltimo dia, quisemos mimar-nos. Apanhámos o autocarro 6 desde a Central Station e em meia hora pusemo-nos num recanto paradisíaco: a praia de Repulse Bay. Com a temperatura do ar a 31 graus e a temperatura da água a 27, que mais poderíamos querer para finalizar a nossa viagem ao oriente. Sim, soube muito bem! Não havia muita gente, o local é sossegado, com algumas (felizmente poucas) infraestruturas turísticas. À noite, subimos ao Victoria Peak no Peak Tram. Lá em cima, temos a melhor vista de Hong Kong e arredores sem qualquer dúvida!

Repulse Bay

Finalmente, no último dia, fizemos o check-out, fomos até Central/ Hong Kong Station onde pudemos fazer o Check in to the city, que passo a explicar. Nessa estação, é possível fazer o check -in na companhia aérea em que vamos viajar horas mais tarde. O nosso voo era às 23h. Assim, logo ao fim da manhã, despachámos as malas e fizemos o check-in, podemos assim desfrutar de toda a tarde em Hong Kong, sem as mochilas às costas. Apanhámos o elétrico (ding ding) e percorremos de lés a lés a cidade.

Dicas importantes:

– Tanto na China, como na Coreia, como no Japão, o preço do bilhete de metro depende da distância percorrida. Globalmente, as viagens nesse meio de transporte são muito acessíveis.

– Na China comemos quase sempre por 3 euros por pessoa. Na Coreia do Sul, por 7-8 euros. No Japão, 7 euros em média. Nos restaurantes, não costumam impingir-nos bebida ou sobremesa. Até porque normalmente oferecem sempre água, chá fresco ou quente. Come-se muito muito bem. A filhota de oito anos comeu tudo como nós e também adorou. Não tivemos qualquer problema gástrico, que era o nosso maior receio. Nesses países, não é costume deixar gorjeta. Aliás, no Japão, tal é visto como uma ofensa. A fruta no Japão e Coreia é extremamente cara. A única fruta acessível é a banana.  Por exemplo, um pequeno cacho de uvas custava 7-8 euros. Uma maça (sim uma) 2 euros. Os gelados em contrapartida são muito baratos.

– Na China, a censura (Great Wall of China) impede o acesso ao google, gmail, you tube, Facebook etc. Era impensável, ficarmos oito dias no território chinês sem ter acesso ao básico do básico que para mim se resume ao google. Deste modo, convém levar uma VPN (virtual private network) já instalada nos nossos dispositivos (telemóvel, tablet, PC etc). Após muita pesquisa, decidimo-nos pela Express  VPN (pagámos cerca de 12 dólares por um mês). Funcionou lindamente, tivemos acesso sempre a tudo o que queríamos sem falhas.

– Para os voos, utilizámos sempre o skyscanner que nos apresentou os melhores preços.

– Só é necessário visto para a China. Para o visto, é preciso uma fotografia, o preenchimento de um impresso, a fotocópia dos comprovativos de voo e hotel, a apólice do seguro de saúde, uma declaração da nossa entidade patronal com o nosso vínculo laboral. No caso de desemprego ou outra situação, é preciso deixa um extrato bancário que demonstre que tem possibilidade económica de custear a viagem e a estadia na China. Deslocámo-nos até Lisboa, à secção consular da China (na zona da Lapa), entregámos tudo e pagámos 60 euros por pessoa e ainda uns trocos para que nos mandassem os passaportes por correio registado e assim evitar lá voltar.

– Os portugueses estão isentos de visto para o Japão, Coreia do Sul, Hong Kong e Macau. Basta ter o passaporte válido (6 meses).

Deixo aqui o top das minhas preferências nesta viagem:

1- Muralha da China (Mutianyu) e  ilha de Miyajima (Hiroshima) ex aequo

2- Arashiyama (floresta de bambú) e templo Inari ex aequo

3- Nara

4- Templo do Pavilhão Dourado (Quioto)

5- Palácio Geongbokgung (Seoul)

6- Salão de Oração das Boas Colheitas (Templo do Céu) Pequim

7- Jardins Yu (Shanghai)

8- Macau

9- Suzhou

10- Repulse Bay

Texto e Fotografias por Cidália Teixeira

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