Bali | 5 templos a não perder

Bali | 5 templos a não perder

Bali, a ilha dos Deuses, contem em si mais de mil templos. Um ano inteiro não seria suficiente para os visitar todos, por isso convém fazer uma selecção criteriosa. Seleccionamos aqui os 5 templos que achamos realmente incontornáveis em Bali, esta selecção é baseada na importância histórica dos templos e, como não podia deixar de ser, na nossa experiência.

Podem ver no seguinte mapa os principais templos da ilha, a nossa selecção aparece a vermelho:


Informações úteis

  • É obrigatório visitar os templos com sarongues, podem comprar ou alugar à entrada dos templos. O aluguer é geralmente gratuito, mas alguns templos pedem um preço simbólico.
  • Podem contratar guias locais à entrada dos templos, mas são geralmente caros e é preciso regatear o preço.
  • Não é obrigatório comprar oferendas nos templos! 
  • Os balineses levam a religião deles muito a sério e adoram explicar aos estrangeiros as tradições deles, poderão facilmente assistir a uma cerimónia durante a vossa estadia.
  • Levem roupa adequada e façam a visita em silêncio, mostrem respeito pela religião e pelas cerimónias a que poderão assistir nos templos.
  • Pura é a designação em língua balinesa dos templos hindus. Bali é a ilha com mais Puras de toda a Indonésia e por isso é conhecida como sendo a “Ilha dos mil Puras“. Existem diferentes tipos de Puras:
    • Pura kahyangan jagad: São os 9 templos que protegem a ilha dos maus espíritos, chamados também de templos direccionais da ilha:
      • Pura Besakih (Este)
      • Pura Lempuyang (Este)
      • Pura Masceti (Este)
      • Pura Goa Lawah (Este)
      • Pura Pasar Agung (Este)
      • Pura Ulun Danu Bratan (Centro)
      • Pura Ulun Danu Batur (Centro)
      • Pura Luhur Bakutau (Centro)
      • Pura Luhur Uluwatu (Sul).
    • Pura tirta: São os “Templos da água” que, além das funções religiosas, também têm um papel importante na gestão do sistema de irrigação tradicional balinês (subak). Os sacerdotes dos puras tirta têm autoridade para gerir o uso da água pelos campos de arroz das aldeias em volta do templo.
    • Pura puseh: Templos dedicados ao culto de Vishnu, um dos principais deuses do hinduísmo, responsável pela manutenção do universo. Juntamente com os Deuses Xiva e Brama, forma a trindade sagrada do hinduísmo, a Trimúrti
    • Pura desa: Templos dedicados ao culto do Deus Brama. Situam-se em aldeias ou cidades, sendo o centro das actividades religiosas do dia a dia dos balineses.
    • Pura dalem: Templos dedicados ao culto do Deus Xiva, estão ligados aos rituais relacionados com a morte.
    • Pura mrajapati: Templo dedicado ao culto prajapati ou ao poder cósmico. São frequentemente descritos como templos dos mortos.
    • Pura segara: São os “Templos do mar”, localizados junto à costa. São templos importantes durante o melasti, ritual de purificação que ocorre alguns dias antes do Nyepi (“Dia do Silêncio”, corresponde ao novo ano do calendário balinese, nesse dia os balineses passam o dia a meditar, sem falar e sem comer).

Pura Tirta Empul

Tirta Empul é um complexo de templos hindus, construído há mais de mil anos e localizado a 30 min de Ubud. A parte central do templo possui duas petirtaans (tanque para banhos sagrados) com 12 fontes de água sagrada onde os hindus se banham num ritual de purificação, fazendo oferendas e orações diferentes em cada fonte (cada fonte tem um significado/tema diferente). Esse local é público, e qualquer pessoa pode participar no ritual de purificação, do momento que seja com respeito e seguindo as regras. Em datas especiais o templo fica rapidamente cheio, e por isso formam-se filas entre cada fonte, apesar do grande número de pessoas, permanece um ambiente sereno com respeito e paz.

Lenda por detrás da fonte sagrada.

Segundo a lenda hindu, existiu, há milhares de anos, um rei que detinha poderes mágicos e que, por esse motivo, achava-se mais importante que os Deuses. Para contestar o Hinduísmo, decidiu então destruir os templos com o objectivo de impedir as pessoas de rezarem. Vendo essa triste situação, o Deus Indra, Deus da tempestade, desceu à Terra para iniciar uma guerra contra o rei, criando o seu próprio exército. A dado momento o rei escondeu-se no acampamento inimigo e, usando os seus poderes mágicos, criou uma fonte de uma beleza extrema e envenenou a sua água. Ao acordarem, os guerreiros beberam da água e morreram. Quando o Deus Indra percebeu o que tinha ocorrido, reverteu o feitiço e transformou a fonte numa fonte de purificação, sendo que quem bebesse daquela água renascia. Conseguiu assim derrotar o rei e reinstalar a fé. Os Hindus balineses acreditam que é essa mesma fonte que abastece o templo Tirta Empul.

Ritual de purificação:

O ritual de purificação consiste em passar por cada uma das fontes, partindo da fonte que se encontra mais à esquerda até à extremidade direita, sendo que não se pode passar em duas fontes (a 10ª e a 11ª) que correspondem às orações dedicadas à cremação e aos deuses. Os balineses estão acostumados aos turistas e ficam felizes em explicar as suas tradições e a história do templo.

Entrada: 15 000 rupias 

 Emprestam gratuitamente sarongues à entrada do templo (também podem dar um donativo se assim o entenderem), mas se quiserem participar no ritual de purificação na água é preciso alugar outro tipo de sarongue próprio para ir para a água, esse sarongue aluga-se dentro do templo por 10 000 rupias.

Por favor, não façam como certos turistas, que por 10 000 rupias não querem alugar os sarongues e vão com os sarongues que emprestam à entrada para a água, isto é ofensivo para os balineses e acho desnecessário por um valor tão simbólico.

Pura Lempuyang

Um dos mais antigos templos hindus de Bali, o Pura Lempuyang é um complexo de vários templos que domina a montanha do mesmo nome. O seu nome significa Luz (Lempu) Sagrada (Hyang). Localizado na costa este da ilha, a 30 min de Amed e a cerca de 3 h de Ubud, este templo ainda é pouco conhecido dos turistas. Está dividido em  7 “andares”, sendo necessário cerca de 4 h para subir as mais de 1800 escadas até ao último andar. No entanto, o templo mais bonito encontra-se no 2º andar e oferece uma vista deslumbrante sobre o monte Agung (infelizmente não o conseguimos ver por estar rodeado de nuvens). Aí encontram a famosa “Porta para o céu”. Frente à porta encontra-se a escadaria dos dragões, não se pode subir pela escadaria central, somente pelas laterais!

Entrada: a entrada é gratuita sendo no entanto necessário fazer um donativo. Podem alugar sarongues por 10 000 rupias e também podem contratar guias cujo valor varia segundo os andares que pretenderem visitar. 

 Este templo fica a meio caminho entre Amed e o palácio de água Tirta Gangga. Para terem mais hipóteses de ver o monte Agung convém ir na época seca e de manhã bem cedo.

Pura Ulun Danu Bratan

Este templo localiza-se no norte da ilha, junto ao lago Bratan, perto da cidade montanhosa de Munduk. É um dos principais templos xivaítas de Bali e é o templo que aparece na nota de 50 000 rupias. O tempo nesta zona da ilha é muito variável, recomendamos ir bem cedo para tentar avistar as montanhas por trás do templo principal.

Foi construído em 1633 e está associado ao sistema de irrigação tradicional balinês subak, sendo o lago Bratan a principal fonte de irrigação do centro da ilha. É por isso um Pura Tirta (templo da água) e nele são realizadas cerimónias onde são feitas oferendas à Deusa Dewi Danu, Deusa da água.

Entrada: 50 000 rupias 
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Pura Besakih

É o maior, o mais alto e o mais sagrado templo de Bali, também conhecido como “templo-mãe”. Localiza-se na encosta do monte Agung, o vulcão mais alto da ilha (3 148m). É composto na realidade por 23 templos espalhados por 6 terraços. Sendo o templo mais importante da ilha recebe anualmente milhares de pessoas, sendo o centro de diversas festividades e cerimónias hindus.

Entrada: 60 000 rupias e já inclui o aluguer de sarong, guia e a ida de moto até à entrada. Não é obrigatório comprar oferendas à entrada, apesar das mulheres dizerem o contrário. 
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Nota histórica:

Em 1963, Bali encontrava-se em grande instabilidade política. O Eka Dasa Rudra, a maior cerimónia hindu que ocorre apenas uma vez por século estava prevista para o dia 9 de Março de 1963, sendo o templo Besakih o centro das festividades. No fim do mês de Fevereiro, o vulcão Agung começou a ter algumas manifestçoes de actividade, especialmente ruídos. Apesar dos rumores duma possível erupção, a pressão política fez com que a festa se mantivesse. No 17 de Março de 1963, o vulcão Agung entrou em erupção, sendo agora conhecido como a erupção mais devastadora da ilha. Fez mais de 2000 mortos, destruiu aldeias por completo deixando mais de 100 000 pessoas sem casa. A lava destruiu tudo até ao mar isolando a ponta este de Bali do resto da ilha. Apesar da sua localização, o templo Besakih escapou milagrosamente às torrentes de lavas que passaram a poucos metros do complexo, muitos hindus balineses acreditam que foi obra dos Deuses, razão pela qual é hoje considerado o templo mais sagrado da ilha.

Pura Luhur Uluwatu

Este é um Pura Segara (templo do mar) e é provavelmente o templo com a localização mais privilegiada da ilha. O nome significa: Templo (Pura) construído à beira (Ulu) de uma falésia (watu). Segundo a lenda hindu, a falésia rochosa faz parte do navio petrificado da Deusa Dewi Danu, Deusa das águas. A melhor altura para visitar o templo é sem dúvida de tarde, pois poderão assim assistir ao espectáculo das 18h que ocorre todos nos dias no recinto do templo. Trata-se de um espectáculo típico de Kecak (mistura entre dança e teatro sendo a história baseada numa lenda local). Não temos fotografias deste templo porque, infelizmente, um contratempo impediu-nos de o visitar.

No templo vive uma comunidade de macacos-caranguejos treinados para roubar (óculos, máquinas fotográficas, telemóveis…), poderão devolver em troca de comida ou então terão de pedir aos locais para devolverem os pertences em troca de dinheiro. Portanto mais vale ter cuidado.

 

Entrada: 15 000 rupias e já inclui o aluguer de sarong. Para assistir ao espectáculo têm de pagar 70 000 rupias.

Tirta Gangga Water Palace e Taman Ujung Water Palace

Eu sei que o título fala apenas em 5 templos, mas não podia deixar de mencionar estes 2 palácios (não são templos!). Ficam ambos na ponta este da ilha, perto de Amed. Conseguem conciliar a visita destes 2 palácios com a visita do templo Pura Lempuyang (o melhor é visitar o templo de manhã bem cedo e deixar os palácios para a parte da tarde).

O palácio Tirta Gangga começou a ser construído em 1946 pelo rei de Karangsem, e foi durante muitos anos a residência para a família real. A erupção do vulcão do monte Agung em 1963 destruiu grande parte do palácio o que originou uma série de obras para reconstruir-lo. O palácio é na realidade um labirinto de lagos e fontes rodeados por um magnífico jardim, relevos em pedra e estátuas. Os balineses gostam de passear lá com a família e aproveitar a piscina local.

O palácio de água Taman Ujung também foi em tempos a residência da família real. É hoje um grande parque verde com vários lagos e uma série de pequenos palácios, pontes e colunas. Um local muito agradável.

Entrada: 20 000 rupias para cada palácio

Os preços são meramente indicativos e correspondem ao preço aplicado quando visitamos a ilha. No espaço de meses já soubemos que alguns preços aumentaram.

Gostaram da nossa viagem à Indonésia? Gostariam de ter a mesma experiência que nós a um custo mínimo? Peçam já o vosso Roteiro Personalizado 😉 

Filha e neta de imigrantes, as malas seguem-me desde a minha infância. O meu sonho, conhecer cada recanto do nosso maravilhoso mundo, faz com que esteja constantemente a pensar na próxima viagem. Natural de França, vivo actualmente no Porto, onde sou médica nas horas de trabalho e viajante nos meus tempos livres.

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